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O retorno previsto das farinhas animais na Suíça

As novas farinhas animais serão destinadas aos criadores de aves e suínos.

(Ex-press)

Depois da crise da vaca louca, os restos de animais passaram a ser queimados e não mais transformados em farinha, o que custa caro. Na Europa como na Suíça, prepara-se a volta das farinhas animais, com um máximo de segurança.

"Está fora de cogitação autorizar novamente o uso de farinhas animais sem garantias de segurança muito estritas. E não haverá compromisso sobre isso", afirma Cathy Maret, porta voz da Secretaria Federal de Veterinária (OVF).

As farinhas animais continuam a suscitar receio dos consumidores. Nos anos 90, foi através delas que chegou a doença da vaca louca, com o abate de milhares de bovinos e uma forte queda do consumo de carne de boi.

Entretanto, apesar do pânico de parte dos consumidores, os especialistas sabiam que a proibição das farinhas animais era temporária.

"Sempre dissemos que, depois da crise da vaca louca, deveríamos discutir a questão do que fazer com as carcaças não comestíveis", lembra Cathy Maret.

Um enorme desperdício

O problema é, ao mesmo tempo, econômico e ecológico. Quando se abate um boi ou um carneiro, um pouco mais da metade, em média, é comestível. Mesmo com o porco e o frango, essa proporção não ultrapassa 60 a 70%.

Resultado: durante a vida, um suíço que come carne produz mais de duas toneladas de miúdos, gordura, osso, couro, pelos e penas.

Antes da proibição, a maior parte desses restos eram moídos, cozidos, secos e, assim, transformados em farinha. Hoje, o processo ainda é o mesmo, mas as farinhas alimentam ... fornos industriais.

Isso ocorre porque os restos animais contêm excesso de água para ser queimados diretamente. Por isso, é preciso passar por essa etapa de transformação em farinhas, como o balanço energético medíocre.

Além disso, depois da proibição das farinhas, as proteínas animais foram substituídas por proteínas vegetais, principalmente a soja. Acontece que o cultivo da soja consome muita água, adubos e pesticidas, sem falar do desmatamento para as culturas.

Outro fator a considerar é que a soja é frequentemente transgênica e que os preços estão em alta como o dos demais cereais.

Como resumo Cathy Maret, "de um lado importamos grandes quantidades de proteínas vegetais caras que não não nada ecológicas; de outro queimamos grande parte de matéria prima que poderia ser utilizada, por exemplo, para alimentar suínos.

Condições draconianas

Na França, os criadores de porcos obtiveram do Ministério da Agricultura que a questão seja discutida pela Comissão Européia. Bruxelas, que também considerava a proibição das farinhas como uma moratória, liberou 1,7 milhão de euros para o exame do problema pela Autoridade de Segurança Alimentar.

Rebatizadas de PAT - proteínas animais transformadas - essas novas farinhas deverão ter normas muito estritas. Na Suíça, a Secretaria Federal de Veterinária (OVF) colocou cinco condições que Cathy Moret admite que poderão "ser problemáticas para os produtores".

Duas dessas condições são estritamente sanitárias: trata-se de fabricar essas novas farinhas apenas com partes da carcaça sem qualquer risco e de evitar toda contaminação pela separação estrita dos pedaços.

"Atualmente, explica Cathy Maret, temos centenas de moinhos que produzem alternativamente alimento para bovinos, aves e suínos... Isso não será mais possível. Será necessário um matadouro para suínos, um forno para as carcaças e um moínho que faça apensas farinha de porco".

Estamos longe disso e a OVF estima que a medida vai "levar anos e muita vonte do setor" para atingir esse objetivo.

Chega de «cannibalismo»

Outras duas condições que a Suíça impõe para o retorno das farinhas têm, além do aspecto sanitário, um lado ...filosófico ou pelo menos moral.

"Com a vaca louca, o que chocou era o fato de dar proteínas animias de suas própria espécie aos bovinos, que são vegetarianos, lembra Cathy Maret. Portanto, as vacas comiam restos de vacas".

Para melhor respeitar a ordem natural e evitar esse "canibalismo" animal, está previsto manter a interdição das farinhas para as espécies herbívoras e jamais dar a um animal restos de sua própria espécie.

Resumindo, as novas farinhas serão destinadas às aves e aos suínos. As galinhas comerão farinha de porco e os porcos farinha de galinha.

A quinta condição fixada pela OVF: a Suíça não vai suspender a proibição antes da União Européia.

No mês passado, Hans Wyss, diretor da OVF, abriu a discussão sobre as farinhas animais no Blog da Secretaria. Até agora não houve reação. Na França, em contrapartida, os comentários são muitos nos sites dos jornais que abordaram o retorno das farinhas animais. As respostas demonstram que o receio e a rejeição ainda estão presentes.

Ainda há muito trabalho pela frente para os que, como Cathy Maret, deverão "vender" essa decisão aos consumidores...

swissinfo, Marc-André Miserez

Datas de referência

1990: Primeiro caso de ESB (doença da vaca louca) é diagnosticado na Suíça. As autoridades proíbem as farinhas animais e o pó de osso para os ruminantes.
1994: A União Européia proíbe as farinhas animais na alimentação de bovinos.
1995: 68 casos de ESB na Suíça, número máximo de casos registrados até hoje.
1996: No Reino Unido, onde surgiu a doença, são abatidas quatro milhões de cabeças com mais de 30 meses.
2001: Como a União Européia, a Suíça proíbe as farinhas animais para todas as espécies.
2005: Três casos de ESB na Suíça, onde a doença recua, enquanto ainda é presente alhures: 203 casos no Reino Unido, 98 na Espanha e 69 na Irlanda.
2007: Pela primeira vez desde 1990, nenhum caso de ESB na Suíça.

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Os números

Por ano, os matadouros suíços produzem 200 mil toneladas de restos.
Depois do cozimeto e da evaporação da água que contêm, restam 24 mil toneladas de gordura, 45 mil toneladas de farinha animal e 18 mil toneladas de pó de osso.
Atualmente, parte das gorduras é utilizada na industria, principalmente de cosméticos, o resto é incinerado em virtude da interdição de alimentar os bovinos com farinhas animais.
Na Suíça, essas incinerações custam cerca de 90 milhões de francos por ano, metade subvencionada pelo Estado.

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