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ONU: escalada de violência em Mianmar é 'catástrofe para direitos humanos'

Manifestantes birmaneses carregam companheiro ferido por disparos das forças de segurança em protesto em Yagon, em 17 mar. 2021 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 11. junho 2021 - 09:47
(AFP)

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, advertiu, nesta sexta-feira (11), que a escalada de violência em Mianmar deflagrada pelo golpe de Estado militar de 1º de fevereiro é uma "catástrofe para os direitos humanos".

"Em apenas quatro meses, Mianmar passou de uma democracia frágil para uma catástrofe para os direitos humanos", disse Bachelet em um comunicado.

"Os dirigentes militares são responsáveis por esta crise e devem prestar contas", acrescentou.

Ela se referiu a informações sobre um reforço militar em várias regiões do país e pediu o fim da violência para evitar mais mortes e o agravamento da emergência humanitária.

Desde o golpe de Estado de 1º de fevereiro contra o governo civil de Aung San Suu Kyi, os grupos locais de defesa dos direitos humanos afirmam que já são mais de 860 mortos e milhares de feridos, todos vítimas da repressão das forças de segurança contra os manifestantes pró-democracia.

Além das manifestações quase diárias, a economia está paralisada por greves em massa, e o país vive um surto de confrontos entre o Exército e facções étnicas rebeldes. E, em alguns bairros particularmente atingidos pela repressão, os moradores formaram suas próprias "forças de defesa".

Bachelet afirmou que a violência se intensifica em várias partes de Mianmar, incluindo os estados Kayah, Chin e Kachin, "com uma violência particularmente intensa em áreas onde existem importantes minorias étnicas e religiosas".

A alta comissária assegurou que existem "informes confiáveis" de que as forças de segurança usaram civis como escudo humano, bombardearam casas e igrejas e bloquearam o acesso à ajuda humanitária. Também teriam atacado trabalhadores humanitários.

Bachelet lembrou o Exército birmanês, também conhecido pelo nome de Tatmadaw, de que tem a "obrigação de proteger os civis".

"Mais de 108.000 pessoas fugiram de suas casas no estado de Kayah apenas nas últimas três semanas", ressaltou, observando que muitos se refugiaram na floresta, "com pouca, ou nenhuma comida ou água, material sanitário, ou médico".

"São pessoas que precisam urgentemente de ajuda humanitária", disse ela.

A comunidade internacional deve, urgentemente, "unir para exigir que o Tatmadaw cesse o uso ultrajante de artilharia pesada contra civis e alvos civis".

Ela também pediu às forças de defesa populares e outros grupos armados que "tomem todas as medidas possíveis para proteger os civis".

Bachelet se manifestou ainda contra as prisões de ativistas pró-democracia, jornalistas e opositores, citando fontes confiáveis, segundo as quais 4.804 pessoas ainda estão sendo mantidas detidas arbitrariamente. E citou relatos de prisioneiros torturados e de punições coletivas às famílias de ativistas.

"Em vez de buscar o diálogo, o Exército chama seus opositores de 'terroristas' e lança processos com motivação política contra líderes democráticos", acrescentou.

Em prisão domiciliar desde o golpe, Aung San Suu Kyi foi acusada esta semana de corrupção. A Nobel da Paz de 1991, que será julgada a partir de 14 de junho por importação ilegal de walkie-talkies, descumprimento das restrições ao coronavírus e violação de uma lei de telecomunicações, já enfrenta vários processos judiciais.

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