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ONU cria força-tarefa para combater crise alimentar

Ban Ki-moon faz um apelo aos países ricos em Berna.

(Keystone)

Após uma reunião com 27 instituições da ONU em Berna, o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, anunciou a criação de uma força-tarefa para enfrentar a crise global de alimentos, que já causou distúrbios em vários países.

A tarefa mais urgente dessa força será arrecadar 755 milhões de dólares para o Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas e "dar comida a quem passa fome".

Sem dinheiro suficiente para os programas de ajuda, existe novamente o risco da "disseminação da fome, da desnutrição e da inquietação social em uma escala sem precedentes", disse Ki-moon na capital suíça.

O PMA e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lembraram que precisam de quase 5 bilhões de dólares este ano.

Por causa do aumento dos preços dos alimentos, o PMA necessita de 755 milhões a mais – no total, 3,1 bilhões de dólares – para fornecer comida a 73 milhões de pessoas este ano. "Temos 471 milhões prometidos, mas apenas 18 milhões em dinheiro na mão", disse a diretora do programa, Josette Sheeran.

Programa de Alimentos em apuros

Em março de 2008, o índice de preços alimentares da FAO foi 57% superior ao de março do ano passado. "Podemos comprar 40% menos comida hoje do que em junho passado, simplesmente por causa do aumento dos preços dos alimentos", disse Sheeran.

Ban Ki-moon, que vai coordenar a força-tarefa formada por agências, fundos e programas da ONU, além do FMI e do Banco Mundial, pediu aos países ricos que liberem os recursos prometidos para o combate à fome.

A força-tarefa pretende também garantir a segurança alimentar no futuro, atacando as causas estruturais e políticas da crise, bem como as consequências da mudança climática.

FAO promete apoio a agricultores pobres

A FAO quer apoiar a agricultura em países pobres com um orçamento de 1,7 bilhão de dólares. "Demos o sinal de alarme, mas ninguém tomou uma decisão na hora certa", criticou o diretor da FAO, Jacques Diouf.

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, pediu aos governos nacionais que não restrinjam suas exportações de produtos agrícolas, como fizeram recentemente o Brasil, a Índia, a China, o Egito e a Rússia.

Esse tipo de medida provoca uma disparada dos preços e prejudica os mais pobres, disse Zoellick.

Crise complexa com muitas causas

Segundo Ban Ki-moon, trata-se de uma crise complexa com muitas causas: investimentos errados na agricultura, elevação dos preços de energia, subsídios agrícolas, especulações no mercado global de commodities, aumento da demanda de alimentos, transtornos climáticos e compras em clima de pânico.

Já Robert Zoellick, que também participou do encontro em Berna, disse que, nos últimos dois anos, cerca de 100 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza. "Isso não é uma catástrofe natural. Essa crise também não estará superada após ser dada a ajuda de emergência", afirmou.

swissinfo com agências

Fatos

De acordo com dados da ONU, os preços da soja e de cereais subiram, respectivamente, 87% e 130% desde março de 2007.

Os preços mundiais do arroz subiram 75% num período de apenas dois meses.

Os habitantes dos países industrializados gastam, em média, 20% de sua renda com alimentação. Nos países em desenvolvimento, esse índice é de 80%.

Na África, 42 de 54 países dependem da importação de alimentos.

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