Navegação

Menu Skip link

Funcionalidade principal

Opinião A solidariedade europeia num mundo de crises

Na Escócia, fui educado para ver os polícias como nossos aliados e a pedir-lhes ajuda quando precisasse. Imaginem a minha surpresa quando, com 19 anos de idade, visitei pela primeira vez os Estados Unidos da América e fui confrontado com uma onda de obscenidades por parte de um polícia de Nova Iorque, que estava a orientar o trânsito na Times Square, depois de lhe ter pedido indicações para chegar ao balcão de correios mais próximo. 

Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

A solidariedade europeia foi severamente posta à prova durante grande parte do ano pela crise grega, cujos efeitos econômicos e sociais continuam a fazer-se sentir na zona euro e em toda a União Europeia. Desde o início do ano, as negociações sobre a Grécia têm posto à prova a paciência de todos nós. Perdeu-se muito tempo e muita confiança. Queimaram-se pontes. Foram proferidas palavras que dificilmente poderão ser retiradas. Vimos as democracias da Europa viradas umas contra as outras.

Toda a Europa se aproximou do abismo, só retrocedendo quando chegou mesmo à beira do precipício. No final, os Estados-Membros da UE ficaram do lado da Grécia. Assumiram-se compromissos, que foram aplicados e respeitados, e um novo programa está agora em vigor. A solidariedade europeia prevaleceu e a confiança começou a ser restabelecida O essencial agora é a concretização das reformas. Além disso, a Comissão Europeia continua a apoiar a Grécia através de um novo Serviço de Apoio à Reforma Estrutural, bem como da prestação de apoio técnico em todos os passos do que ainda será uma longa caminhada.

Ao mesmo tempo, a solidariedade europeia continua a ser posta à prova pela crise dos refugiados. No início deste ano, a Comissão Europeia apresentou uma política global em matéria de migração e tomou medidas imediatas para gerir a crise. Triplicamos a nossa presença no Mediterrâneo, contribuindo assim para salvar vidas. Lutámos contra as redes criminosas de contrabandistas e traficantes. Mostramos solidariedade ao concordar em proceder ao realojamento nos nossos Estados-Membros das pessoas mais necessitadas de proteção internacional.

Jean-Claude Juncker (Redange, 9 de dezembro de 1954) é um político luxemburguês. Foi primeiro-ministro de Luxemburgo (1995-2013), líder do Partido Popular Social Cristão (1990-1995), ministro das Finanças de Luxemburgo (1989-2009), Presidente do Conselho Europeu (1997 e 2005), sendo conhecido pelos seus pensamentos pró-europeus. Após as eleições de outubro de 2013, apesar de o seu partido ter sido o mais votado, Juncker não conseguiu formar um governo de coalizão e foi substituído pelo ex-prefeito da capital luxemburguesa Xavier Bettel do Partido Democrático. Foi eleito presidente da Comissão Europeia em 15 de julho de 2014, com 442 votos do Parlamento Europeu, assumindo o cargo em 1 de novembro de 2014.

Aqui termina o infobox

Começamos agora a realojar refugiados de fora da Europa e estamos a trabalhar em estreita colaboração com a Turquia, que desempenha um papel essencial na região. Lançamos também uma nova parceria com África, com o objetivo de combater as causas profundas da migração. Além disso, as agências da UE continuam a ajudar as autoridades nacionais dos Estados-Membros mais afetados, muitas vezes sobrecarregadas, a proceder à identificação, avaliação e recolha de impressões digitais dos migrantes que chegam a acelerar o tratamento dos pedidos de asilo e a coordenar o regresso dos cidadãos a quem foi indeferido o pedido de asilo.

Se parece que a UE tem todas as soluções para os seus problemas, é porque efetivamente é esse o caso, em teoria. A realidade, porém, é bem diferente. Correndo o risco de me repetir, ainda não consegui perceber por que razão é tão difícil dar seguimento a compromissos assumidos ao mais alto nível político.

Por exemplo, conferência após conferência, os governos declaram que vão enviar guardas de fronteira para ajudar a Grécia a proteger as nossas fronteiras externas, ou auxílio financeiro para ajudar os nossos vizinhos na Jordânia, Líbano e Turquia a fazer face ao elevado número de refugiados nestes países. Porém, as semanas passam, os objetivos não são alcançados e os compromissos não são cumpridos. Em vez disso, temos um jogo de acusações desgastante que coloca os Estados-Membros da UE uns contra os outros. É uma espiral negativa em que os governos nacionais desvirtuam os seus sistemas de asilo para torná-los menos atrativos do que os do país vizinho; enquanto os responsáveis políticos, de esquerda e de direita, alimentam um populismo que apenas gera ira, e não soluções.

Já é hora de termos um pouco mais de confiança na capacidade da Europa para oferecer soluções coletivas para os problemas que cada Estado-Membro da UE sofre intensamente e autonomamente. A supressão da legislação da UE em matéria de asilo não eliminará a obrigação que os países têm de respeitar o princípio e os requisitos humanitários definidos no direito internacional de oferecer asilo às pessoas que dele necessitam. Pelo contrário, trata-se de uma norma comum aplicável ao tratamento dos pedidos de asilo pelos países da UE, que cria um sistema justo e impede que todos os requerentes afluam a um único local.

Do mesmo modo, uma Guarda costeira e de fronteiras que não dependa da vontade dos diferentes Estados-Membros ou da oportunidade política para afetar recursos permitirá restaurar a ordem e gerir eficazmente as fronteiras externas da UE. Aqui, também, as soluções são necessariamente europeias.

Se eu tivesse de estabelecer uma comparação entre o calendário da crise dos refugiados e o da crise financeira, diria que hoje estamos em fevereiro de 2010, quando os países europeus ainda acreditavam que os instrumentos de que dispunham a nível nacional eram suficientes para resolver os problemas que presentemente sabemos que necessitariam de uma resposta europeia coordenada.

A solidariedade europeia deve prevalecer. Os horríveis atentados de Paris em novembro constituíram um ataque contra o modo de vida europeu. Mas não vamos dar-nos por vencidos. Não cederemos ao medo voltando a erguer muros que tão recentemente foram derrubados. Não confundiremos os autores desses crimes hediondos com as pessoas que fogem no seu rescaldo.

Europa - o amor da minha vida. Este continente corajoso. Este povo nobre. Um local considerado como exemplo de segurança e justiça em todo o mundo. Estaremos à altura desta reputação. Mostraremos a nossa resiliência.

A integração europeia é uma questão multifacetada e muitas vezes complicada. Nem sempre acertamos à primeira. Mas se eu pudesse descrever a Europa utilizando apenas uma palavra, seria "perseverança". Juntos, somos mais fortes do que os desafios com que somos confrontados. Juntos, iremos unir-nos contra tudo o que nos tenta dividir. Em 2016, preservaremos e triunfaremos.

(Artigo publicado originalmente no site Project SyndicateLink externo)

Ponto de vista

A nova série swissinfo.ch acolhe doravante contribuições exteriores escolhidas. Tratam-se de textos de especialistas, observadores privilegiados, a fim de apresentar pontos de vista originais sobre a Suíça ou sobre uma problemática que interessa à Suíça. A intenção é enriquecer o debate de ideias.

As opiniões expressas nesses artigos são da exclusiva responsabilidade dos autores e não refletem necessáriamente a opinião de swissinfo.ch. 

Aqui termina o infobox


Tradução: Teresa Bettencourt, Project Syndicate

Neuer Inhalt

Horizontal Line


Teaser Instagram

Suas perguntas se transformam em nossas matérias

Suas perguntas se transformam em nossas matérias

Suas perguntas se transformam em nossas matérias

subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.