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Os supersticiosos da Eurocopa

O feiticeiro Grande Mestre Mayumbu

Entre o sinal da cruz dos jogadores ao entrar em campo e a água benta que alguns carregam, as superstições continuam a existir no futebol.

Mau-olhado e preces diversas vão invadir o campeonato europeu durante o mês de junho. O assunto é objeto da exposição « Fora de jogo », em Genebra.

"No museu, temos um funcionário congolês. Seu irmão é médico em um vilarejo perto de Kinshasa. Como sabemos, na África, os jogos de futebol têm uma dimensão incrível e que os feiticeiros têm um papel papel muito importante, conseguimos um filme sobre um feiticeiro que 'preparava um jogo' a ser realizado no estádio de Kinshasa", conta Christian Delécraz, diretor de um anexo do Museu de Etnografia de Genebra (MEG), onde a exposição "Fora de jogo".

Nos países africanos, recorrer aos serviços de um feiticeiro para "trabalhar" os jogadores do time adversário, o campo e a bola é uma prática corrente. Em 2003, na Tanzânia, os dois maiores clubes de futebol, Yanga e Simba, foram até condenados pela Federação Tanzaniana de Futebol a pagar uma multa por prática de rituais de feitiçaria antes de um jogo. Dois jogadores do Yanga tinham urinado no campo para neutralizar as substâncias, pós e ovos, depositados anteriormente por seus adversários do Simba.

"Os africanos e suas superstições, sorriem alguns! No entanto, não há motivo para risos: a Eurocopa não tem nada a ver com a África e podemos apostar que ela será plena de irracional como a Copa Africana de Nações.

Virgem Maria, vodu e meias

No MEG, algumas vitrines mostram objetos usados pelo feiticeiro – chifre de rinoceronte e ervas diversas. Um pouco mais longe, uma Virgem Maria kitsch observa o visitante, repleta até os olhos de água de Lourdes. É uma ocasião para lembrar que a África não tem a exclusividade em matéria de superstição...

"É realmente água de Lourdes, não enchemos com uma água qualquer!", sublinha Christian Delécraz. "Trapattoni, ex-treinador da seleção da Itália, joga água benta no gramado antes de todos os jogos importantes", acrescenta.

Aqui, como em outro lugar qualquer, o universo do futebol é marcado por rituais que visam dominar a chance e o imprevisto que jogadores e técnicos não conseguem sempre controlar.

Além da água benta sobre o gramado, ascender uma vela, rezar para Virgem Maria, recorrer aos serviços de astrólogos, vestir uma camiseta que dá sorte ou recorrer à macumba ...veja a foto à direita. Uma boneca vodu muito européia uma bandeirinha francesa, visivelmente útil para a vitória dos italianos na final da Copa do Mundo de 2006.!

As horas que antecedem uma partida também são ritmadas por rituais e pequenas manias: sentar-se sempre nos mesmos lugares no ônibus que leva ao estádio, comer a mesma coisa antes de cada jogo, usar uma corrente para dar sorte ou ainda calçar a meia no pé esquerdo antes do direito.

Rituais, rezas, sinal da cruz, macumba. Através deles, jogadores, treinadores e torcedores procuram ter o favor dos deuses e controlar o destino.

A "mão de deus"

A escadaria do MEG é decorada, durante a exposição "Fora de jogo", com um afresco. Uma pequena capela Sistina giratória para evocar a famosa "mão de deus" de Maradona, desenhada pela mão, mais modesta, de Pierre-Alain Bertola, cenógrafo da exposição.

Para relembrar os fatos, nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 1986, no Estádio Asteca no México, o jogador argentino marcou um gol contra a Inglaterra. A validação desse gol permitiu aos argentinos passar para a semifinal e depois a final, ganhando sua segunda Copa do Mundo.

O gol ficou famoso porque foi de mão, aos 6 minutos do segundo tempo, quando o jogo estava empatado de 0 a 0. Segundo sua própria testemunha, Maradona admitiu, mais tarde, ter esticado o braço para tocar na bola!

Na entrevista coletiva depois do jogo, Maradona criou ainda mais polêmica dizendo que o gol tinha sido "um pouco de cabeça e um pouco com a mão de deus".

Feliz Euro 08!

Maradona que invoca Deus, seus fãs que falam de deus Maradona. "Essa história de Maradona vai tão longe que existe na Argentina até uma Igreja maradoniana, com seus padres que celebram inclusive casamentos. Uma verdadeira Igreja do Deus Maradona, com um site internet e tudo", diverte-se Christian Delécraz.

De qualquer maneira, tirem das gavetas seus talismãs, rezem cada um pelo seu deus, dispersem água benta ou do rio Ganges sobre seus televisores, ascendam uma vela para Santo Köbi Khun (técnico da Suíça) ou para a estrela que alimenta seus sonhos futebolísticos, não corra riscos.

A menos que Deus de repente não se preocupe realmente com futebol – o que seria uma informação importante – e que, ao invés de usar sua mão, passe a usar os pés.

swissinfo, Bernard Léchot

Breves

O Euro 2008 ocorre entre 7 e 29 de junho 2008, na Suíça e na Áustria

31 partidas serão disputadas em quatro cidades suíças (Basiléia, Berna, Genebra e Zurique) e em quatro cidades austríacas (Insbruck, Klagenfurt, Salzbourg e Viena).

A final será dia 29 de junho em Viena. A seleção suíça disputará seus jogos de classificação em Basiléia.

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Fora de Jogo

A Esposição "Fora de Jogo", de 21 de maio 2008 a 26 de abril 2009, no Museu de Etnografia de Genebra (MEG), Anexo de Conches, Chemin Calandrini 7, Conches.

Participaram da organização da exposição vários especialistas do Centro Internacional de Estudos do Esporte de Neuchâtel.

Entre os parceiros dessa exposição está swissinfo. A atualidade do futebol é representada na exposição por telas com o especial "Euro 2008".

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Catálogo

Para essa exposição, o MEG publica o livro "Fora de Jogo - Futebol e Sociedade", sob coordenação de Raffaele Poli.

O prefácio é do sociólogo Christian Bromberger e o livro contém uma entrevista com o psicólogo e ex-jogador suíço Lucio Bizzini.

136 páginas, 120 ilustrações em cores de Éric Lafargue e Johnathan Watts e desenhos de Pierre-Alain Bertola.

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