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"Nenhum país encontrará sua grandeza sem uma ação maior" contra as mudanças climáticas, advertiu o comissário filipino para o clima, Emmanuel De Guzman

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Alguns países mais vulneráveis às mudanças climáticas, pediram nesta quarta-feira, em Bonn, um reforço às ações contra o aquecimento global em nível mundial face às incertezas geradas pela nova administração americana.

"Nenhum país encontrará sua grandeza sem uma ação maior" contra as mudanças climáticas, advertiu o comissário filipino para o clima, Emmanuel De Guzman, fazendo em alusão ao lema de campanha do presidente americano, Donald Trump, "Make America great again" (Tornar os Estados Unidos grandes de novo).

"O acordo de Paris é a nossa tábua de salvação", escreveram em uma declaração conjunta os países do Climate Vulnerable Forum (CVF), que representa mais de um bilhão de indivíduos e reúne países africanos (Níger, Etiópia, Ruanda...), ilhas (Fiji, Marshall, etc), Bangladesh, Vietnã, Nepal e Haiti, entre outros.

"Foram feitos grandes avanços em Bonn, no programa de trabalho destinado a (implantar) o novo regime climático mundial (...) O mundo avança", consideraram. Mas estes países pediram uma "rápida" atribuição do capital do Fundo Verde da ONU e um aumento do financiamento que os países do Norte prometeram aos do Sul para apoiar medidas que permitam manter o aquecimento abaixo de 1,5º C.

Negociações climáticos de todo o mundo se reúnem até a quinta-feira em Bonn para avançar nas formas de aplicação do acordo de Paris, que busca limitar o aquecimento "muito abaixo" dos 2º C, inclusive de 1,5º C, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa.

Desde a eleição de Donald Trump, reina a incerteza sobre a participação dos Estados Unidos no processo. Durante sua campanha, ele prometeu "anular" o acordo de Paris, mas agora parece hesitar e não deve anunciar sua decisão antes de voltar da reunião do G7 (26 e 27 de maio).

Respeitar o limite de 1,5º C é "uma questão de sobrevivência": "não é uma ameaça abstrata ou futura, muitos já estão pagando o preço", declarou o negociador marroquino Aziz Mekuar, citando a "devastadora seca" que castiga o leste da África atualmente.

"Para os países que estão na linha de frente dos desajustes climáticos, a retórica e as políticas provenientes da Casa Branca são questão de vida ou morte", destacou a ONG Christian Aid, reagindo à declaração do CVF.

"Se Donald Trump não vê claramente as implicações que suas políticas têm, cabe então aos outros dirigentes do G7 se assegurar de que as entende e insistir na necessidade de agir", afirmou o encarregado para o clima desta ONG, Mohamed Adow, em um comunicado. "Se não, serão cúmplices do sofrimento imposto aos pobres do leste do mundo", acrescentou.

AFP