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Partido do Povo pode sobrar na dança das cadeiras

A ministra da Fazenda, Eveline Widmer-Schlumpf, tem grandes chances de manter sua posição no governo.

(Keystone)

Na véspera das eleições ministeriais da Suíça, partido populista improvisa estratégia para recuperar assento no governo.

Quatro partidos já declararam sua intenção de apoiar a reeleição da ministra da Fazenda, Eveline Widmer-Schlumpf, principal alvo do Partido do Povo Suíço (SVP, na sigla em alemão) em sua briga para conquistar mais espaço no executivo.

O SVP ataca a pouca representatividade do partido da ministra - o PBD, criado de uma cisão do próprio SVP – que conseguiu apenas 5% dos votos nas eleições parlamentares de outubro.

Pela tradicional (e única) "fórmula mágica" da Suíça, na qual os quatro maiores partidos dividem os sete ministérios do país, o Partido Burguês Democrático seria pequeno demais para justificar um lugar no governo.

Mas a conjuntura do novo parlamento suíço é muito diferente da última legislatura. Como novo partido, o PBD foi visto como um sucesso, e outro novo partido, os Verdes Liberais, ganhou apoio similar. O PDC, que era o menor dos 4 principais partidos do governo, agora tem o mesmo número de representantes no Congresso que o PLR, mas apenas um representante no governo.

Ao mesmo tempo, o SVP, embora continue sendo o maior partido na Câmara, perdeu oito lugares na casa.

Centro florescente

Estes novos partidos, que por falta de lugar à direita são considerados de centro, possibilitaram novas alianças e facilitaram o apoio dos membros do parlamento à cadeira de Widmer-Schlumpf, considerada por todos uma excelente ministra, mesmo se isso põe em risco uma das duas cadeiras do Partido Liberal Radical.

"No contexto em que PBD e PDC devem trabalhar juntos no futuro, esses dois partidos podem esperar manter duas cadeiras no governo pelo ponto de vista da aritmética convencional", declarou Christian Levrat, presidente do partido socialista, justificando a decisão de seu partido em apoiar Widmer-Schlumpf.

Levrat disse que seu partido não contesta o direito do SVP de ter dois ministros, mas, nesse caso, o Partido do Povo teria que buscar o segundo lugar à custa do ministro da Economia, Johann Schneider-Ammann, do Partido Liberal Radical.

Mágica velha

O analista político Georg Lutz disse à swissinfo.ch que espera que os seis atuais membros do Conselho Federal (governo) devem ser reeleitos e a vaga deixada pela socialista Micheline Calmy-Rey, que está deixando o cargo, deve ser preenchida por alguém do seu próprio partido, o segundo maior no parlamento.

"Há uma possibilidade de que [o candidato do SVP] Hansjörg Walter seja eleito para o lugar de Schneider-Ammann, mas também existem muitos ‘ses’ nesta fase", disse Lutz.

Segundo o analista, a "fórmula mágica" fazia sentido quando os três maiores partidos tinham proporções semelhantes dos votos, mas a ascensão do centro mudou o jogo.

"Está ficando meio ultrapassado manter essa fórmula matemática. Se acharem que ela deve ser mantida, então devem incluí-la na Constituição. Segundo o sistema eleitoral é preciso a maioria dos votos para cada cadeira", acrescentou.

"O que mudou nesta estreita fórmula de partilha do poder é que as maiorias são diferentes. Mas continua existindo uma maioria estável."

O SVP argumenta que a estabilidade política da Suíça está baseada na fórmula mágica que garantiu, até agora, que 75% da população estivesse representada no governo.

O partido pretende não atacar a cadeira de Schneider-Ammann, a menos que o PLR apoie Widmer-Schlumpf, rompendo com a convenção que garante duas cadeiras para cada um dos três maiores partidos e uma para o menor dos quatro.

Ano ruim

Embora continue sendo o maior partido do país, o Partido do Povo Suíço tomou uma surra neste ano.

O SVP foi incapaz de alcançar seus dois principais objetivos, que eram ganhar 30% da Câmara dos Deputados e colocar os caciques do partido no Senado. Seus problemas pioraram com uma recente série de alegações de irregularidades contra seu candidato favorito ao governo, Bruno Zuppiger.

Zuppiger foi substituído às pressas na quinta-feira passada (8), sendo que as eleições para o governo acontecem nesta quarta, 14 de dezembro.

Para Lutz, o escândalo atingiu em cheio a credibilidade do partido, que não tem dado aos parlamentares boas razões para apoiar um candidato do SVP contra Widmer-Schlumpf.

"O SVP não parece muito sério nesse processo eleitoral."

O começo da dança das cadeiras

Os sete membros do governo são eleitos individualmente pelas duas casas do Parlamento em assembleia conjunta.

Uma vez eleitos, os ministros permanecem em função durante a legislatura do Parlamento que os elegeu.

Depois das eleições legislativas, que acontecem a cada quatro anos, os ministros se apresentam para serem reeleitos, a não ser que queiram renunciar.

Até 2003, isto era uma formalidade. Os ministros eram sempre reeleitos.

Em 2003, a situação muda. O SVP - que até então tinha apenas um assento no governo, apesar de ter a maioria de membros do parlamento - consegue tirar a segunda cadeira do PDC.

Em 2007, o controverso ministro e líder carismático do SVP, Christoph Blocher, não é reeleito, o Parlamento preferindo sua então colega de partido Eveline Widmer-Schlumpf, considerada mais moderada.

O SVP decide então expulsar Widmer-Schlumpf do partido por ter aceitado ser eleita, o que desencadeou a formação do Partido Burguês Democrático, formado em grande parte por membros desiludidos do SVP.

A confusão criada pelo SVP fez com que o partido ficasse novamente com apenas um ministro no governo.

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Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch


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