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Pequenos agricultores lutam contra milionário egípcio

A família Reglis investiu um milhão de francos na sua fazenda. swissinfo.ch

O ambicioso plano de construir um grande centro turístico de luxo com campos de golfe pode significar o fim para pequenos agricultores de Andermatt.

Este conteúdo foi publicado em 28. setembro 2006 - 18:48

Uma família está liderando a oposição contra o projeto do milionário egípcio Samih Sawiris, apesar da promessa de emprego e desenvolvimento para o vilarejo localizado no centro da Suíça.

Maja Regli freia o seu carro no ponto mais elevado da ponte. Ela aponta com a mão onde será o campo de golfe. Ela explica que ele se estenderá de um extremo do fértil vale até o outro.

O projeto do centro turístico, anunciado como um sopro de vida para o vilarejo que vive há anos um processo lento de decadência econômica, iria ocupar inicialmente apenas uma área de treino abandonada pelo exército suíço.

Para a maioria a idéia parecia ter apenas ganhadores. A prefeitura de Andermatt estava feliz de ter encontrado um comprador para o terreno e também um empresário disposto a criar empregos, algo em falta na região. Já para o egípcio Samih Sawiris, o negócio representa uma boa oportunidade de entrar no mercado europeu.

Todos aprovaram a idéia de construir um centro turístico, com capacidade para receber até 800 hóspedes, quando Sawiris apresentou o projeto no final de 2005: o governo cantonal, a comuna e a maioria da população.

Mas em julho o empresário anunciou que necessitava comprar terrenos agrícolas nos arredores para a construção de um grande campo de golfe, de categoria internacional. E recentemente, ainda em outubro, Sawiris explicou que precisaria de ainda mais terras.

Ele deu aos proprietários das terras o prazo, até o início de dezembro, para decidir se querem vendê-las ou não. Caso a resposta seja negativa, o empresário ameaça de cancelar o projeto inteiro.

A maior parte das 15 famílias de agricultoras envolvidas nos planos de Sawiris já anunciaram que irão aceitar a oferta, procurar outras terras ou mesmo aceitar um emprego no futuro centro turístico.

Porém a família Reglis recusa a oferta. Apesar do apoio geral ao projeto, eles recusam de abandonar terras que foram trabalhadas há gerações pela família de Sebastian Regli.

Não a qualquer preço

A família explica que não está sendo pressionada pelas autoridades locais ou por outros moradores, porém percebe que sua obstinação poderá torpedear o projeto. De qualquer maneira, os Reglis sabem que o prazo para tomar uma decisão está cada vez mais próximo.

Sebastian se mostra inflexível. Ele explica que não irá vender suas terras a qualquer preço. "Eu posso falar de pessoas que perderam seus empregos, que faziam a mesma coisa por anos e, de repente, foram obrigadas a fazer algo abaixo da sua dignidade".

Na sua opinião, a agricultura ficará relegada às montanhas se o campo de golfe ocupar as terras mais férteis da região. O fazendeiro também teme que a alma de Andermatt seja perdida. O que atrai os turistas nos Alpes é a paisagem de terras cultivadas como nos cartões postais.

"Andermatt pode acabar virando o lugar onde o governo precisam arrumar cabras e bodes para deixá-los passear pela cidade e, dessa forma, agradar os turistas", julga o agricultor, lembrando um vilarejo na Suíça que já prática essa forma de turismo: Zermatt.

A parcela dos Reglis tem 2,5 hectares de terras férteis. Nela a família cria 30 vacas leiteiras.

Vacas

"Sawiris sempre disse que gostaria de ver vacas pastando no meio do campo de golfe. Se isso não for possível, então ele deixaria intocável um pouco de pasto sem tirá-lo do seu estado original", declara Maja de forma desafiadora. "Se ele não aceitar essas condições, então é uma pessoa que não consegue manter a palavra".

A família Reglis sabe que o rolo compressor do empresário egípcio já passou por cima de todas as barreiras. As autoridades concretizaram todos os desejos do grande investidor, sem fazer atenção ao impacto que eles teriam para a vida de alguns dos habitantes.

Caroline, a filha de 25 anos de Sebastian, compreende o problema vivido pela família, porém é otimista quanto à promessa inicial feita pelo egípcio de manter as vacas nas laterais das vias de acesso. Ela até brinca com a idéia de começar a fabricar queijo para tornar a fazenda mais interessante aos turistas.

"Se for possível fabricar queijo, então precisamos das terras. O campo de golfe poderá ter no seu centro uma fazenda, com algumas vacas carregando grandes sinos", brinca a jovem.

swissinfo, Dale Bechtel

Fatos

Andermatt tem uma população de 1.264 pessoas e está localizada a 1.444 metros acima do nível do mar.
Vinte hotéis e pensões no vilarejo oferecem 800 camas aos turistas.
Os planos do bilionário egípcio Samih Sawiri é de dobrar essa capacidade com a construção de um centro turístico.

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O grupo egípcio Orascom

O império de negócios do empresário egípcio Samih Sawiris, o grupo Orascom, está dividido em três setores: telecomunicações, construção e turismo.

No setor de turismo ele opera três balneários turísticos na costa do Mar Vermelho e está construindo mais dois nos Emirados Árabes Unidos e em Oman.

A estratégia da companhia é a "aquisição de áreas não desenvolvidas em localizações de primeira qualidade, desenvolvimento e marketing de comunidades auto-suficientes".

O projeto mais conhecido, o balneário "El Gouna", é um centro que abriga hotéis, restaurantes e shopping centers construídos ao redor de lagos artificiais.

Orascom administra o balneário, que tem uma população residente de 10 mil pessoas, incluindo aeroporto, escolas e um hospital.

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