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Pesquisadores em Lausanne simulam viagem extracorporal

A experiência de sair uma vez do seu próprio corpo pode ser simulada. iStock

Cientistas da Escola Politécnica Federal de Lausanne. conseguiram simular um fenômeno conhecido através do nome de "experiência extracorporal" através da realidade virtual.

Este conteúdo foi publicado em 30. agosto 2007 - 07:19

Segundo eles, a técnica oferece uma explicação científica às sensações geralmente consideradas como puro produto da imaginação.

Segundo os especialistas que estudam o tema, uma pessoa em dez já teria vivido uma experiência extracorporal. Esses momentos onde existe o sentimento de ter saído do próprio corpo ocorre geralmente quando o funcionamento do cérebro é perturbado, seja através de uma droga ou por uma crise de epilepsia, por exemplo.

Pela primeira vez, duas equipes de cientistas, trabalhando separadamente na Suíça e na Suécia, conseguiram provocar ilusões similares em pacientes saudáveis. O resultado das pesquisas foi apresentado recentemente na conceituada revista "Science".

Segundo eles, o fenômeno resultaria de perturbações nas conexões do cérebro no momento onde ele trata simultaneamente de informações visuais, sonoras e táteis.

"Um dano cerebral ou uma simulação destinada a enganar o cérebro podem efetivamente perturbar essas conexões", explica Bigna Lenggenhager, membro da equipe do professor Olaf Blanke, que conduziu essas pesquisas no laboratório de neurociências cognitivas da Escola Politécnica Federal de Lausanne.

Realidade virtual

Na prática os pesquisadores equiparam suas cobaias humanas com capacetes de realidade virtual, que lhes mostraria uma imagem deles próprios em três dimensões, de pé e diretamente frente a eles.

Durante um minuto, eles viam uma escova acariciar as costas da sua imagem, enquanto um assistente passava realmente a escova nas suas próprias costas.

Depois os voluntários eram colocados em completa escuridão e solicitados a recuar alguns passos. Quando os pesquisadores pediam que eles voltassem a sua posição inicial, as cobaias mostravam a tendência de se colocar exatamente na posição onde estavam suas imagens virtuais. O resultado foi considerado surpreendente, sobretudo levando-se em conta que o ser humano tem a tendência de subestimar as distâncias na escuridão.

"Isso mostra que o cérebro terminou fundindo de alguma maneira a pessoa e a sua própria imagem, o que faz com ela se posicione por si própria fora do seu corpo real", analisa Bigna Lenggenhager.

A isso se adiciona o fato de que se o cérebro utiliza diversos sentidos para constituir a consciência do corpo, a visão tem nesse sentido um papel preponderante.

Fenômeno paranormal

Após a experiência, várias das cobaias afirmaram ter sentido "algo estranho", mas ninguém descreveu o sentimento de desencarnação, habitualmente associado às experiências extracorporais.

Os pesquisadores esperam que seu trabalho possa contribuir a ajudar os pacientes que sofrem de problemas neurológicos, que muitas vezes são vistos com maus olhos por ter esse tipo de experiência, frequentemente atribuídas a um excesso de imaginação ou outro fenômeno paranormal.

"Essas experiências extracorporais são relativamente comuns, mesmo entre as pessoas saudáveis. A partir dos testes nós compreendemos melhor o que acontece nesses momentos", conclui Bigna Lenggenhager.

swissinfo, Adam Beaumont

Breves

Olaf Blanke dirige o laboratório de neurociências cognitivas da Escola Politécnica Federal de Lausanne. Ele trabalha há vários anos sobre experiências extracorporais.

As pesquisas nesta área mostraram que as informações provenientes dos órgãos do sentido são, em primeiro lugar, tratadas individualmente em diferentes zonas do cérebro antes de serem combinadas em outras zonas, para depois constituir a percepção completa tida do meio-ambiente.

Os cientistas suspeitam que uma zona na parte direita do cérebro combina as informações visuais e táteis que formam a percepção do corpo. Segundo sua hipótese, a experiência extracorporal se produz no momento em que dois tipos de informação se combinam de forma incorreta.

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