Plebiscito cantonal Cantão do Ticino proíbe a burca em espaços públicos

O idealizador da iniciativa, Giorgio Ghiringhelli, festeja a aprovação nas urnas.

O idealizador da iniciativa, Giorgio Ghiringhelli, festeja a aprovação nas urnas.

(Keystone)

O Ticino é o primeiro cantão (estado) da Suíça a proibir o porte da burca ou o nikab (véu que cobre o rosto e só revela os olhos) em espaços públicos. Uma iniciativa acaba de ser aprovada pela maioria dos eleitores. Analistas não sabem se Parlamento helvético terá que aprovar a medida.

No total, 65,4% dos eleitores do cantão do Ticino aprovaram no plebiscito de domingo (12 de setembro) um novo artigo na constituição local, na qual se prevê a proibição do porte de trajes que cobrem o rosto da pessoa em espaços públicos. Também uma contraproposta lançada pelo Parlamento foi aprovada por 59,8% dos eleitores. Ela prevê a inclusão da regra apenas nas leis gerais e não na própria constituição.

Na questão de escolha - iniciativa ou contraproposta - os resultados foram o seguinte: 52,4% aprovaram a iniciativa e 36,7% a contraproposta. Isso significa que a iniciativa popular predominou. A participação no plebiscito foi de 46%.

O resultado correspondeu aproximadamente ao plebiscito de 2009, quando a questão da proibição da construção de novos minaretes foi lançada e aprovada nas urnas em nível federal. Na época, 68,1% dos eleitores do cantão do Ticino defenderam a interdição.

Responsáveis satisfeitos

O idealizador da iniciativa, o ex-jornalista Giorgio Ghiringhelli, 61 anos, mostrou-se satisfeito a decisão popular. "Assim fazemos história", declarou à swissinfo.ch. O Ticino se torna, com os resultados, o primeiro cantão a proibir a cobertura de rosto. Mesmo canais de televisão da Rússia estavam presentes para entrevistar Ghiringhelli.

O ativista ressaltou o caráter preventivo da medida, já que praticamente não existem mulheres utilizando burca ou o nikab nos espaços públicos do cantão. Muito raramente se veem turistas originárias de países muçulmanas.

Ghiringhelli justifica sua campanha como um símbolo contra "o islamismo militante". Ele espera que o voto dado no Ticino possa influenciar outros cantões.

Mancha na imagem

Já o advogado e ex-procurador Paolo Bernasconi, que coordenou uma campanha de duplo "não" às propostas, não esconde sua insatisfação. Em sua opinião, os resultados mancham a imagem do cantão. "Essa proibição é absolutamente ridícula."

Porém Bernasconi não se surpreende com os resultados. "O cantão do Ticino tende cada vez mais à direita e falta uma verdadeira oposição", afirmou. Mesmo um comitê em prol do duplo "não" deixou de existir. Agora o ativista pretende trabalhar para que o Parlamento helvético vete a mudança constitucional.

Problemas de aplicação

Ainda não está claro como as autoridades judiciais irão colocar em prática a medida aprovada pelos eleitores. Até então, a polícia local não recebeu nenhuma instrução. A nova lei prevê multas pecuniárias em caso de infração.


Adaptação: Alexander Thoele, swissinfo.ch



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