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Políticos sul-americanos boicotam Davos

Furlan defendeu que os países ricos deixem de subsidiar as exportações agrícolas e acabem com o protecionismo (foto: WEF)

Os debates no WEF 2004 giram mais em torno dos problemas no Oriente Médio e o combate ao terrorismo. Ao mesmo tempo, nota-se a ausência de chefes de Estado de países sul-americanos.

O ministro do Desenvolvimento do Brasil, Luiz Fernando Furlan, foi um dos palestrantes em Davos.

No ano passado, Luiz Inácio Lula da Silva fez do Fórum Econômico Mundial uma tribuna para aclamar aos círculos financeiros e políticos internacionais o apoio na luta contra a pobreza. No encontro desse ano não só o presidente do Brasil, mas também um grande número de dirigentes sul-americanos não apareceu.

O novo presidente argentino, Nestor Kirchner, o chileno Ricardo Lagos, o mexicano Vicente Fox ou o peruano Alejandro Toledo não vieram. Apenas Lucio Guttierez, presidente do Equador, atravessou o Atlântico para participar do WEF.

Davos, que já foi uma tribuna preferencial para expor referências liberais e seduzir investidores estrangeiros, perdeu sua atratividade para os dirigentes sul-americanos, ocupados em recolocar nos eixos economias massacradas pelo peso da dívida e confrontados com uma pobreza profunda.

Em direção a mais autonomia

“Eu penso que eles estão descobrindo que mesmo estando distante, eles também poderão conseguir o que querem”, estima o cientista político argentino Manuel Mora y Araújo.

O Brasil vive um período de ótimo relacionamento com os investidores, que deram na semana passada o sinal verde para mais um empréstimo de trinta anos. A Argentina, que tenta se recuperar da implosão econômica ocorrida há dois anos, conseguiu chegar a um acordo com o FMI, enquanto o Chile concluía um acordo de livre-comércio com os Estados Unidos.

Tema menos atraente

A ausência de sul-americanos em Davos pode ser igualmente uma conseqüência pelos transtornos dos últimos anos, num período onde a guerra contra o terrorismo lançada pelos Estados Unidos concentra uma grande parte da atenção da comunidade internacional sobre o Oriente Médio.

O tema escolhido pelos organizadores do Fórum Econômico Mundial – “Segurança e Prosperidade”, reflete essas prioridades. Assim se explica, dentre outras, a presença de membros do conselho interino do governo iraquiano.

Davos minimiza

Em Davos, qualquer forma de descarte da América Latina é desmentida com veemência. Estima-se que ausência desses dirigentes se deve mais a problemas de agenda e, sobretudo, pelo fato do Encontro das Américas ter ocorrido na semana passada em Monterrey, no México.

“O Fórum Econômico Mundial nos faz compreender que para esses chefes de Estado seria uma dificuldade viajar mais uma vez ao exterior”, estima Jose Maria Figueres, co-presidente do WEF.

Portanto, Kirchner e Lagos estão sendo esperados na Europa no momento onde ainda ocorre o WEF em Davos. Lula realiza uma visita de Estado na Índia, com uma escala prevista no retorno em Genebra, aonde ele irá se encontrar com investidores internacionais.

Ministro brasileiro em Davos

Na quinta-feira, os debates foram intensos. De um lado, representantes de países em desenvolvimento, como Brasil e Tanzânia, e do outro emissários do governo da Suíça e o presidente mundial da Nestlé, Peter Brabeck.

O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, foi um dos palestrantes e disse que Davos é uma oportunidade única na busca pela retomada das negociações que foram adiadas desde a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Cancún, no México, em setembro de 2003. Furlan defendeu que os países ricos deixem de subsidiar as exportações agrícolas e acabem com o protecionismo. "Os países desenvolvidos cobram para que sejamos competitivos, mas quando conseguimos, nos impõem uma série de dificuldades para vendermos nossos produtos", disse Furlan.

O representante do governo brasileiro aproveitou ainda para destacar a importância do país no cenário internacional. Afirmou que o Brasil não é contrário às negociações, mas a favor de "acertos justos". "Conseguimos, juntamente com outros países, como o Egito e a África do Sul, uma voz possível de ser ouvida", afirmou.

Furlan apelou para o bom-senso dos países ricos. Disse que se eles, por meio de suas iniciativas, conseguirem incluir pessoas no mundo do consumo haverá muito mais lucro.

swissinfo com agências
Murilo Ramos, Agência Brasil


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