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"Mais autoconfiança do que autocrítica"

Presidente da Confederação Helvética, Micheline Calmy-Rey. Reuters

Colaboração colegial no governo federal, aprofundamento das relações com a União Europeia e contribuir de forma construtiva às soluções globais.

Este conteúdo foi publicado em 01. janeiro 2011 - 13:00
Géraldine Eicher, Rádio DRS

Estes pontos estão no topo da agenda política da ministra suíça das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey, e presidente da Confederação Helvética em 2011.


A socialdemocrata de Genebra tem 65 anos e pela segunda vez, desde 2007, chega ao cargo máximo do executivo federal. Mas 2011 anuncia-se um ano presidencial agitado. Frente aos novos desafios, a ministra suíça das Relações Exteriores apela a uma maior confiança e menos autocrítica.

SRG: Quais serão seus maiores desafios como presidente da Confederação Helvética?

Micheline Calmy-Rey: Em primeiro lugar a direção do grêmio (n.r.: o conselho de ministros que governa o país), colegialidade é uma questão muito importante. Em segundo, eu pretendo ser a voz da Suíça no exterior. Esse é um papel que não podemos desvalorizar, sobretudo em uma época em que pressão é exercida sobre nosso país.

Eu tentarei resolver os problemas com os países vizinhos, assim como aprofundar as relações com a União Europeia.

Ao nível da comunidade internacional eu quero contribuir de forma positivo às soluções de problemas globais. O mundo está bastante interconectado. Decisões têm efeitos de longo alcance e consequências multifacetadas. Pense na crise do euro, no terrorismo, pobreza, fluxos migratórios, proteção do meio-ambiente e nas transformações climáticas. Frente a esses problemas globais não podemos ser uma ilha.

SRG: 2011 será um ano de eleições. Como é possível incentivar o governo federal a realizar um bom trabalho, orientado à solução de problemas?

M.C.-R.: Como já citei, dou muito valor à colegialidade. Nós precisamos dialogar, encontrar consenso e tomar decisões em conjunto. Isso não é fácil, pois temos diferentes sensibilidades políticas.

Para encontrar boas soluções para o país precisamos colocar os interesses suíços sobre as nossas opiniões pessoais e ideologias políticas.

SRG: Há quatro anos, durante seu mandato de presidente da Confederação Helvética, a senhora havia dito que o governo federal funciona bem e é capaz de tomar decisões. Houve alguma mudança nessa realidade?

M.C.-R.: Nós passamos por momentos difíceis. A crise do UBS (n.r.: o maior banco suíço), a pressão contra o sigilo bancário e a crise da Líbia não foram fáceis para o governo federal. Porém quando analisamos de forma acurada as crises, chegamos à conclusão que o governo federal foi bem sucedido em superá-las. No caso da crise com a Líbia, os dois reféns retornaram são e salvos. Para mim isso é o mais importante.

No que diz respeito ao sigilo bancário, nós adotados os critérios da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Agora estamos prestes a colocá-los em prática através de acordos fiscais bilaterais com diversos países.

O problema fiscal do UBS nos Estados Unidos foi resolvido através de um acordo. A Suíça mostrou que é capaz de defender seus interesses também frente a uma grande potência como os EUA.

Mas a impressão permanece que o governo federal teria problemas. Por isso ele foi criticado por partidos e cidadãos, o que é normal.

Mas às vezes tenho a impressão que nós somos os mestres da autocrítica. Eu apelo a mais autoconfiança. Não somos um 'nada' no mundo e sabemos nos defender. Deveríamos aceitar um pouco mais essa realidade.

SRG: A Suíça enfrentará em breve importantes decisões na área de política europeia. Como a senhora pode favorecer o clima entre a Suíça e Bruxelas?

M.C.-R.: O aprofundamento das relações com a União Europeia é uma prioridade do meu mandato. Esse relacionamento deve ser o melhor possível, pois a UE é o nosso mais importante parceiro político e comercial.

Até então seguimos o caminho bilateral. O balanço desse caminho é bom, sobretudo levando-se em conta os aspectos econômicos e a segurança.

Misto é o balanço que se refere à nossa soberania. Nós adotamos muito da UE como nas legislações, mas não temos o direito de participar das decisões. Então eu não posso estar satisfeita.

A UE diz que 120 acordos (n.r.: Bilaterais I e II) representam uma grande quantidade de trabalho, o que se explica que as relações devem ser simplificadas. Ela argumenta que nós nos beneficiamos do acesso ao seu mercado de 500 milhões de consumidores. Por isso devemos adotar as leis e normas da União Europeia.

Por razões de soberania, dizemos como não membros da UE um "não" a uma adoção automática da legislação europeia. Se abrirmos a essa discussão, então nossos direitos democráticos como iniciativas e plebiscitos devem ser preservados.

SRG: Em debate está também um assento provável da Suíça no Conselho de Segurança da ONU. Isso seria uma honra ou uma obrigação da Suíça?

M.C.-R.: Seria, em primeiro lugar, uma responsabilidade para o nosso país. Como membro integral da ONU pagamos muito dinheiro para as missões de paz. Porém é o Conselho de Segurança que decide as missões e aprova os relatórios relacionados a elas. Não seriam essas razões então para aceitar um aceito e participar das decisões? Eu acho que nós, como membros integrais da ONU, deveríamos ter um assento nele.

SRG: Os suíços do estrangeiro exigem que a chamada "Quinta Suíça" (a comunidade helvética de expatriados) seja uma prioridade nacional. Essa é uma esperança realista?

M.C.-R.: Os suíços no estrangeiro são para o ministério das Relações Exteriores (EDA) e para mim uma prioridade. Não apenas os 700 mil que vivem no exterior, mas também os muito suíços que viajam ao estrangeiro como turistas.

A prioridade é tanta que o EDA criou uma direção consular, capaz de garantir a proteção consular a suíços no exterior.

Micheline Calmy-Rey

A cientista política nascida em 1945 já dirigiu uma empresa de comercialização de livros.

Sua carreira política foi iniciada em 1981 como membro do Parlamento cantonal de Genebra, onde esteve até 1997.

No final de 1997 ela foi eleita ao governo de Genebra, onde assumiu a pasta de Finanças.

Em 4 de dezembro de 2002, o Congresso suíço (a união dos parlamentares da Câmara dos Deputados e Senado Federal) a elegeu como membro do governo federal. Desde o início do seu mandato ela dirigiu o ministério das Relações Exteriores (EDA).

Em 2007 foi eleita pela primeira vez ao cargo de presidente da Confederação Helvética.

Sua eleição em 2011 ao mesmo cargo ocorreu no início de dezembro com 109 votos, o pior resultado desde 1939.

Parlamentares da direita e do centro a criticam. Uma delas é a forma arbitrária como negociou a solução para a crise com a Líbia.

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