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A Suíça sob a lupa de estudantes australianos

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Os laureados foram recebidos na residência do embaixador suíço, Daniel Woker (de terno, à esquerda.) em presence do vice-chanceler da Universidade Nacional da Austrália, Pr. Ian Chubb (de gravata vermelha).

O prêmio suíço acaba de ser atribuído a estudantes australianos. Adeus aos clichês.

Os estudantes descobriram as particularidades linguísticas, políticas e culturais da Suíça, país que por vezes ainda é confundido com a Suécia.

Como a cultura suíça é divulgada no estrangeiro? Graças à política paulatina que múltiplas formas como a do Prêmio Suíço, entregue pela embaixada suíça em Canberra, na Austrália.

O júri premiou no final de outubro os três melhores estudantes da Australian National University (ANU) em três línguas nacionais suíças (exceto o reto-romanche). Este ano, mais de 40 jovens, de nível médio de francês, alemão e italiano, dissertaram sobre a política, a literatura ou o papel das tradições suíças.

Essa iniciativa, lançada há 11 anos, surgiu de uma simples discussão entre o embaixador da época e o reitor da ANU. Desde então, os dois lados se beneficiam da experiência. As autoridades suíças consideram que o investimento é mínimo para as consequências a longo prazo.

"Essa colaboração participa da divulgação da Suíça. Os estudantes sabem que esse pequeno país existe e não o confundem mais com a Suécia ...", brinca Françoise Schaefer, encarregada do projeto na embaixada. Esse projeto é um dentre outros 400, apoiados todo ano pelas representações diplomáticas suíças, coordenados pelo Centro de Competência pela Política Cultura Estrangeira do Ministério das Relações Exteriores (DFAE).

O plurilinguismo intrigua



Entre os jovens australianos, se os melhores trabalhos são recompensados por algumas centenas de francos, todos se sentem valorizados. "É um símbolo de generosidade do povo suíço, que recompensa estrangeiros por ter manifestado interesse por sua cultura, mesmo se esse interesse já é uma recompensa por si só", afirma Lawrence Mays, apaixonado pela língua italiana.

O interesse ultrapassa frequentemente a simples aprendizagem da língua. Se Jake Glidden, 18 anos, estuda alemão, é porque acha que os países germânicos tem boas universidades para estudar ciências, como a Escola Politécnica de Zurique (EFFZ).

Aliás, ele prepara um dossiê de candidatura para entrar na famosa escola superior suíça e pense "um dia viver na Suíça". Ele já mantém contatos na Suíça: "muitos dos meus amigos das Olimpíadas Internacionais de Física vivem e estudam na EPFZ, o que me ajuda a manter um laço com a Suíça", explica o jovem que descobriu nos cursos como as regiões suíças estavam divididas sobre a adesão à União Europeia.

Ultrapassados os clichês do chocolate, dos bancos e das montanhas, a Suíça intriga os australianos por seu multilinguismo, suas diversas culturas e suas relações com a União Europeia.

Para esta 10ª edição, por exemplo, na seção alemã, o primeiro prêmio coube a uma análise de coabitação das quatro línguas nacionais, o segundo a um estudo do sistema democrático suíço comparado aos australiano, o terceiro às diferenças entre o suíço-alemão e o alemão. Na seção de francês, vários trabalhos abordaram o tema da natureza ou da relação dos jovens com os adultos foram premiados. Em italiano, os premiados criaram um site web sobre o estado (cantão) do Ticino.

Número recorde de estudantes em francês



Na ANU, o francês, o italiano e o alemão são ensinados com uma perspectiva suíça. Qual a mais procurada? "O francês, responde sem sotaque o diretor da Escola de Línguas da ANU, Peter Brown.

"Dois anos atrás, 300 estudantes escolheram francês. Este ano são 400. De fato, é a primeira língua europeia ensinada em nossa universidade." A escolha é explicada pelo grande número de jovens atraídos pelas relações internacionais, área em que uma língua estrangeira é obrigatória e em que o francês está bem cotado.

Peter Brown podia se contentar em ensinar literatura francesa, mas ele ampliou seus cursos à francofonia, incluindo literatura suíça. Se seu método de ensino passa pelo estudo de autores contemporâneos como
Etienne Barilier, Sylviane Roche ou Mireille Kuttel, os cursos de Christèle Maizonniaux, na mesma universidade, tem outro método, pouco explorado até agora.

"Trabalho com meus estudantes de segundo ano, durante um semestre, com livros literatura de juventude, entre eles um autor suíço", explica. A francesa instalada em Canberra, prepara uma tese sobre esse assunto. "Que os estudantes sejam fortes ou fracos, o conto ou o livro de juventude permite tornar a língua acessível, mesmo se às vezes há um vocabulário específico das tradições suíças, como em "Reine", de Jacqueline Delaunay."

Esse álbum dedicado à tradição do Valais (sudoeste) do combate de vacas, embora "bem simples nas imagens e nos textos, possibilitou falar da cultura suíça." É uma visão pedagógica que permitiu revelar diferenças: "os australianos não têm um sentimento de proximidade com esse animal porque, aqui, as boiadas tem centenas de bovinos. Eles se divertiram ao sabe que, na Suíça, se dá nome às vacas", sorri Maizonniaux.

Essa técnica de aprendizagem através de contos e livros de juventude parece adequada. "No início, os estudantes achavam que os textos seriam muito simples, pouco interessantes, mas perceberam que poderia ser muito complexo e ensinar bastante sobre a cultura dos países onde foram criados, publicados e difundidos."

O Prêmio Suíço incentiva assim o dinamismo de um ensino de línguas associado à descoberta da cultura suíça. Uma gota d´água num oceano? Talvez, mas uma gota d'água que liga duas culturas separadas por oceanos.

Sophie Roselli, Canberra, swissinfo.ch
(Adaptação: Claudinê Gonçalves)

Projetos

400 projetos. O Centro de Competência de Política Cultural Estrangeira (CCC) do Ministério das Relações Exteriores apoia, através das representações diplomáticas suíças no estrangeiro, aproximadamente 400 projetos por ano, entre eles o Prêmio Suíço na Austrália.

1,5 milhão. O CCC dispões de um orçamento anual de 1,5 milhão de francos para esses projetos. Para cada um, as representações suíças avaliam o contexto local e as diretivas da política estrangeira suíça.

Fonte: Ministério das Relações Exteiores - DFAE

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