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Copenhague: crônica de um fiasco anunciado

Sem obrigação de ser aplicado, o Acordo de Copenhague tem apenas três páginas.

(AFP)

O jornais suíços comentam nesta segunda-feira (21) a conferência de Copenhague geralmente como um fracasso.

Os editoriais analisam as causas do que ocorreu em Copenhague, mas alguns ainda têm um pouco de esperança.

“Uma cúpula verdadeiramente catastrófica” é a manchete do Giornale del Popolo, do Ticino (sul), que resume o sentimento que domina na imprensa suíça nesta segunda-feira (21), dois dias depois da assinatura em Copenhague de um acordo sem comprometimento.

Em duas semanas de negociação e apesar as árduos debates nas últimas horas, a conferência de fato produziu um texto de apenas três páginas que fixa como objetivo limitar o aquecimento climático a dois graus em relação aos níveis pré-industriais. O texto não diz o que fazer para atingir esse objetivo.

“A cúpula de Copenhague terminou com um acordo mínimo, totalmente insuficiente até pelo dinheiro gasto e pelas emissões de CO2 provocadas pela própria reunião”, afirma o Giornale del Popolo, também da Suíça de língua italiana.

“O fiasco saído de Copenhague é patente, e aflitivo” afirma o diário La Liberté, de Friburgo. A mesma constatação é feito pelo 24 heures, de Lausanne (oeste), que também qualifica o encontro de “fiasco”.

O jornal editado em Zurique Neue Zürcher Zeitung(NZZ), não fala explicitamente de fracasso, mas de uma “tentativa ambiciosa” que ... “fracasso claramente”. Acrescenta que “o acordo concluído depois de duras negociações foi sobretudo um meio de concluir uma das mais importantes cúpulas mundiais sem perder muito visivelmente a honra”.

Sucesso "trágico"

Só há uma voz ligeiramente discordantes no editorial do
Bund, de Berna, e do Tages Anzeiger, de Zurique. Ele cita a fórmula do climatologista alemão Hans Joachim Schellnhuber, que qualificou a cúpula de “sucesso trágico para a ciência”.

É que, “pela primeira vez, a comunidade internacional aceitou levar em consideração o fato que um aquecimento crítico de dois graus poderá ameaçar seriamente o equilíbrio do ecossistema terrestre”, lembra o editorial. Mas, prossegue o jornal, é uma tragédia “porque os países industrializados e emergentes não estão dispostos a acelerar o ritmo de redução das emissões de CO2”.

O NZZ, lamenta que “as medidas anunciadas até 2020 não serão suficientes para conter o aumento das emissões de CO2”. Consequência?

“A humanidade caminha para uma mudança climática mais importante do que previsto e deverá gerir as consequências”, adverte o Le Temps, de Genebra.

As causas do fracasso

Se todos os jornais lamentar o fracasso da conferência dinamarquesa, vários se questionam sobre as causas. “Primeiro foi o método da ONU que mostrou seus limites. Essa conferência só começou realmente no último dia e terminou em confusão”, relata o 24 heures.

O Le Temps também acusa o sistema da ONU que, em razão da “dispersão do poder político, tem muita dificuldade de passar do discurso à ação”.

Mas o jornal também destaca outra causa suscetível de explicar o fiasco de Copenhague, “a desigualdade profunda reinante no mundo”. Porque, “entre os povos ricos, interessados no futuro a longo prazo da humanidade, e os pobres, obcecados pelo desenvolvimento imediato, existe um abismo”, afirma o jornal.

O Le Temps defende uma nova forma de representação. “Ao lado do G-20, que tem o defeito de reunir apenas as grandes potências econômicas, há espaço para um outro cenário que seria mais representativo do conjunto da humanidade, sem cair na armadilha da atomização”.

Notas de otimismo

“Uma governança mundial que não é para amanhã”, escreve La Liberté, para o qual a cúpula revelou profundas divergências. “Jamais, talvez, desde o fim da guerra fria, teve-se a impressão de assistir à recomposição de blocos de interesses conflitantes e espetaculares”.

O Corriere del Ticino sublinha também que Copenhague viu o afrontamento de duas visões de mundo e do destino da humanidade: uma visão “progressista”, encarnada pela União Europeia e por alguns países emergentes como o Brasil, e uma visão conservadora” representada pela coalizão inédita entre a China e os Estados Unidos.

Na hora de avaliar a “dimensão pedagógica do fracasso”, como afirma La Liberté, resta uma ponta de esperança como no Bund e o Tages Anzeiger. Essa esperança passará pela economia, segundo o editorial.

“Copenhague também mostrou um outro rosto. Soluções concretas foram apresentadas, que representam não somente uma esperança para o clima, mas também um potencial de desenvolvimento para a economia . Porque os países e as indústrias que se dedicam hoje à proteção do clima,serão vencedores amanhã.”

swissinfo.ch, Carole Wälti

Acordo de Copenhague

Depois de duas semanas de negociações, o documento de Copenhague tem apenas três páginas e fixa como objetivo limitar o aquecimento planetário a menos de 2°C, comparado ao período pré-industria (por volta de 1850)..

Na questão fundamental do financiamento da adaptação aos desafios climáticos, está previsto criar um fundo especial - 30 bilhões de dólares nos próximos três anos (a Suíça está entre os países que se comprometeram) para chegar a 100 bilhões de dólares por ano até 2020, destinado aos países mais vulneráveis.

O acordo prevê que os países industrializados e os países em desenvolvimento afirmarão por escrito até janeiro próximo seus compromissos de redução dos gases a efeito estufa.. O texto fala em transparência na aplicação desse fundo. O objetivo de redução de 50% das emissões até 2050 foi abandonado.

A conclusão de um acordo completo juridicamente obrigatório foi adiada para o final de 2010, provavelmente na conferência do México, em dezembro. Entretanto, uma conferência intermediária poderá ocorrer em Bonn, na Alemanha.

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