Como a imprensa suíça noticiou o 'tsunami' brasileiro


Este conteúdo foi publicado em 08. outubro 2018 - 17:25

Fazendo eco a boa parte da imprensa internacional, as mídias suíças noticiaram com apreensão o resultado das eleições gerais no Brasil. O tom pouco variou nas matérias, tanto nos veículos mais conservadores como nos mais progressistas, alarmados com a ascenção, e quase vitória no primeiro turno, de Jair Bolsonaro, um candidato com posições abertamente antidemocráticas.   

Sua plataforma provocadora, defendendo os abusos da ditadura militar (1964-1985), e a perseguição a minorias, comunidade LGBT, mídia e intelectuais, foi citada igualmente por todos os jornais e tevês. “Os brasileiros brincam com fogo”, é o título da matéria do conservador Neue Zürcher Zeitung

O jornal não poupou palavras: 
“Suas declarações degradantes sobre mulheres, negros, homossexuais e a ditadura militar na verdade o desqualificam para ser presidente da nação brasileira. Não é possível esquecer que, há poucos anos, ele chamou publicamente uma deputada de "muito feia para ser estuprada". Que tal afirmação venha de uma pessoa que deveria ser um modelo, é algo problemático. A afirmação profilática de Bolsonaro de que, se ele não vencer as eleições, elas estão fraudadas, significam qualquer coisa, menos uma atitude democrática.”

Os resultados oficiais do primeiro turno das eleições no Consulado do Brasil em Zurique. TSE

O Tages Anzeiger, também de Zurique, explica “como Bolsonaro causou um tsunami político: o ‘coveiro’ da democracia é o claro vencedor do primeiro turno – graças a ‘fake news’ e dois jogadores de futebol”. O jornal destaca a perda de confiança da população com as instituições democráticas devido ao estado recessivo da economia, a alta criminalidade e os escândalos de corrupção, entre outros fatores, criando-se as condições para uma maioria de eleitores tendendo à extrema-direita.

Os resultados oficiais do primeiro turno das eleições no Consulado do Brasil em Genebra. TSE

O Tages Anzeiger considera também o desafio matemático para vencer Bolsonaro de Fernando Haddad, candidato do Partido dos Trabalhadores que vai disputar o segundo turno contra o ex-militar. Haddad precisaria do apoio de todos os eleitores dos outros candidatos, o que parece no momento virtualmente impossível devido à alta rejeição popular ao seu partido. 

As tevês públicas SRF (de língua alemã) e RTS (de língua francesa) noticiaram o resultado de maneira mais neutra, mas destaca-se nas reportagens a imagem de simpatizantes de Bolsonaro erigindo um boneco gigante de um militar batendo continência

O correspondente da SRF acha que Fernando Haddad pode ainda reverter o placar no segundo turno, se conseguir apresentar “uma plataforma mais equilibrada” para ganhar os votos mais ao centro.

Mesmo que as eleições brasileiras não tenham rendido editoriais mais incisivos, como na Inglaterra, EUA, Alemanha e França, a revista eletrônica suíça Republik publicou um extenso artigo ("A fabulosa queda do Brasil") poucas semanas antes do pleito explicando o contexto político e social que possibilitou uma até então figura quase folclórica e de histórico parlamentar medíocre se transformar em uma das maiores forças políticas do país. 

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