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Entusiasmo por Obama diminuiu, um ano depois

Obama perdeu muito apoio em seu primeiro ano de mandato. Keystone

Em 20 de janeiro de 2009, Barack Obama entrava na Casa Branca, em meio a uma euforia sem precedentes. Um ano depois, o presidente estadunidense perdeu muito de sua popularidade, especialmente entre os democratas.

Este conteúdo foi publicado em 20. janeiro 2010 - 16:51

Três cidadãos norte-americanos de origem suíça que votaram em Obama falam do primeiro ano de governo.

Barack Obama chegou à Casa Branca com uma taxa de popularidade de 70%; hoje ela é de 46%. A maioria dos norte-americanos desaprova a atuação do presidente nos grandes temas que foram prioritários em seu primeiro ano de mandato: crise econômica, reforma do sistema de saúde ou a guerra no Afeganistão.

Um ano depois da posse, o entusiasmo com Barack Obama caiu entre os eleitores que mais trabalharam para levar o senador de Illinois ao poder: os independentes e os membros do Partido Democrata, que são os progressistas e os negros.

De fato, um quarto dos adeptos democratas fieis ao residente da Casa Branca pensam atualmente que o presidente Obama não realisou as mudanças prometidas pelo candidato Obama. "O presidente Obama enfrenta dificuldades", diz Alfredo Defago, ex-embaixador da Suíça em Washington, que tem dupla nacionalidade e votou em Barack Obama.

"O primeiro ano de mandato deu resultados nuançados pois apenas um de seus grandes projetos foi elaborado até agora”, explica Defago, professor da Universidade do Estado de Wisconsin.

Reservas

Para Vinz Koller, o balanço do primeiro ano de mandato de Barack Obama é "realmente positivo". Com dupla nacionalidade, ele mora em Carmel, na Califórnia, e preside o Partido Democrata do condado de Monterrey. Ele afirma que "Obama herdou uma situação terrível e conseguiu tirar o país do abismo econômico".

Mesmo se esse líder local do partido do presidente norte-americano se diz "ainda muito entusiasta", ele também não pouca críticas. "Obama não está onde gostaríamos que estivesse nesta fase de sua presidência", afirma Vinz Koller.

"Eu gostaria que o desemprego fosse baixo atualmente, que o Iraque e o Afeganistão estivessem pacificados para poder retirar as tropas", acrescenta. "Pessoalmente, teria preferível a instauração de um sistema universal e público de saúde, mas também sei que as expectativas da esquerda do Partido Democrata não eram realistas", precisa.

Muito conciliante

Vinz Koller observa, aliás, que em sua circunscrição eleitoral "aumentam as críticas e o descontentamento da ala esquerda dos democratas, mas também dos republicanos que votaram em Obama".

Por sua vez, John Hooker, especialista aposentado de marketing no setor de saúde, que divide seu tempo entre Nova York e a Suíça, afirma que "muitos de seus amigos progressistas estão muito frustrados".

"Eles estimam que Obama deveria ser mais autoritário e estão decepcionados, sobretudo com a reforma do sistema de saúde", acrescenta.

Questionado se ele mesmo está decepcionado com Obama, John Hooker suspira e hesita bastante antes de responder. "Não estou muito decepcionado. Creio que tinha muitas ilusões; estou decepcionado com os Estados Unidos. O sistema não funciona mais, tem dinheiro demais, ele corrompe tudo e nada muda", afirma.

"Obama é muito conciliador, talvez demais. Não serei muito duro, diria que estou à espera", confessa John Hooker, que fez doações para a campanha presidencial de Barack Obama e continua a contribuir financeiramente com os democratas.

Impopular

A queda da popularidade de Barack Obama nos Estados Unidos era sem dúvida inevitável. O exercício do poder corrói sempre a exaltação da campanha e da posse. Mas, no caso de Barack Obama, a erosão é tão acentuada quanto na época de Ronald Reagan, que foi o presidente menos popular desde 1945 no início de seu segundo ano de mandato.

"As expectativas em torno de Barack Obama durante a campanha presidencial eram grandes demais e ele foi apresentado como uma espécie de messias. Ele paga por isso agora", analisa Alfred Defago.

"Além disso, seu programa não é adequado neste momento", afirma o ex-embaixador. "2009 não foi um bom ano para lançar uma reforma da saúde porque as pessoas queriam que ele se concentrasse no problema da recessão", conclui Alfred Defago.

Marie-Christine Bonzom, Washington, swissinfo.ch
(Adaptação: Claudinê Gonçalves)

Opinião pública

A maioria dos estadunidenses afirma hoje não ver amudança prometida pelo candidato Obama em 2008.

Somente 37% dos norte-americanos
acham que seu país está no caminho certo. São 13% a menos do que oito meses atrás.

Quarenta e nove por centos dos eleitores independentes desaprovam o governo de Barack Obama. É o nível de aprovação mais baixo das últimas décadas para um presidente dos Estados Unidos, junto aos independentes, nesta fase do mandato.

Recentemente, o eleitos negros do Congresso organizaram uma entrevista coletiva à imprensa para lamentar que Barack Obama não se empenhava suficientemente para resolver os problemas da comunidade negra, em particular o desemprego.

Os parlamentares negros refletiam assim o sentimento do eleitorado negro que, depois de votar em Barack Obama a mais de 90% são atualmente 40% a pensar que sua situação deles não mudou ; 12% pensam que sua situação piorou.

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