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Líbia: liberdade para Hamdani, prisão para Göldi

Max Göldi sendo levado da embaixada suíça em Trípoli. Keystone

Rachid Hamdani, um dos dois suíços detidos como reféns há 19 meses pelo regime do coronel Kadhafi, obteve seu visto de saída para a Tunísia na segunda-feira pela manhã.

Este conteúdo foi publicado em 22. fevereiro 2010 - 17:34

Seu companheiro de infortúnio, Max Göldi, foi levado à Justiça líbia.

Rachid Hamdani saiu durante o dia da embaixada suíça em Trípoli, cercado por dezenas de policiais, como relatou um jornalista da agência de notícias Reuters. Ele procurou os serviços de passaportes para obter seu visto de saída. O empresário está a caminho da Tunísia, país do qual ele também possui a nacionalidade, indicou seu advogado líbio Salah Zahaf à agências de notícias AFP.

"Ele recebeu seu visto de saída e partiu de carro para a Tunísia, cuja fronteira fica 170 quilômetros a oeste de Trípoli", acrescentou Zahaf.

Max Göldi, o outro suíço retido desde julho de 2008 pelo regime líbio em represália à prisão de Hannibal Kadhafi e sua esposa pela polícia genebrina, abandonou algumas horas mais tarde a embaixada suíça, onde ele estava refugiado há vários meses.

Segundo um jornalista da Reuters, Max Göldi foi levado à prisão pelas autoridades líbias, onde ele começará imediatamente a cumprir sua pena de quatro meses por ter infringido as leis de imigração do país.

"Vamos apresentar um pedido de clemência ao conselho superior das instâncias judiciárias", indicou ao mesmo tempo durante a manhã seu advogado Salah Zahaf.

A esposa de Hamdani, Bruna, contou à swissinfo que está acompanhando os acontecimentos através dos boletins das agências de notícias, mas que não escutou nada de oficial.

"Continuo aguardando notícias de Berna ou do me marido. Elas são as únicas fontes seguras. Depois de dezenove meses, só irei acreditar na notícia quando ele mesmo me chamar para contar que já não está mais na Líbia."

"Mas não podemos nos esquecer que existe alguém que continuará por lá (Max Göldi) e isso é triste. Por isso continuo cautelosa pelo momento", afirma.


Clemência?

Para a ONG Human Rights Watch (HRW), a clemência seria o sinal de uma solução política à crise. Por seu lado, a Anistia International (AI) solicitou que Max Göldi possa abandonar "hoje" o território líbio, julgando ao mesmo tempo como "trágico" o fato de o empresário "pagar" pela prisão do filho de Kadhafi em julho de 2008, em Genebra.

No início da manhã, as autoridades líbias haviam dado à embaixada suíça em Trípoli prazo até meio-dia (11 h na Suíça) para entregar o refém à Justiça líbia. Acusando a representação diplomática helvética de "utilizar sua imunidade para fins não reconhecidos pelo Direito Internacional", o Ministério líbio das Relações Exteriores ameaçou tomar "medidas" se Max Göldi não fosse entregue, informou a agência estatal líbia de notícias Jana, sem entrar em detalhes.

Max Göldi "foi condenado a quatro meses de prisão e está sendo procurado pela Justiça. Ao invés de continuar na embaixada, ele deveria se apresentar à polícia judiciária para cumprir a sua pena", declarou o ministro líbio das Relações Exteriores, Moussa Koussa, ao canal de televisão por cabo do Qatar, Al-Jazira.

Negociações

Moussa Koussa afirmou ter concordado com a Alemanha e a Espanha em remover Rachid Hamdani da embaixada e permitir que ele abandonasse o país e, ao mesmo tempo, entregar Max Göldi à polícia judiciária. Ele declarou estar "surpreso com o fato de a embaixada suíça continuar a reter deliberadamente os dois homens".

Dezenas de policiais líbios cercaram na segunda-feira pela manhã a embaixada suíça em Trípoli, onde se encontravam, segundo uma fonte judiciária citada pela agência italiana ANSA, diplomatas alemães, austríacos, franceses e holandeses.

Em Berna, o Ministério das Relações Exteriores (DFAE, na sigla em francês) alertou contra qualquer medida de força contra a embaixada. Em um comunicado, o órgão lembrou que "a segurança das representações estrangeiras continua sendo responsabilidade do país anfitrião".

"Continuamos trabalhando na busca de uma solução" para a liberação dos dois reféns retidos na Líbia há um ano e meio", informou o ministério.

União Europeia à procura de solução

A União Europeia se esforça também para encontrar uma solução à crise entre Berna e Trípoli, indicou o chefe da diplomacia espanhola, Miguel Angel Moratinos, antes de uma reunião de ministros europeus de Relações Exteriores em Bruxelas na qual seria debatido o tema da crise.

A Itália e a Alemanha exprimiram sua esperança que um acordo possa ser firmado. O ministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini, espera "que nós possamos chegar a um acordo", ou seja, a liberação dos dois suíços e a retirada da "lista negra" estabelecida pela Suíça na concessão de vistos Schengen aos cidadãos líbios.

Segundo ele, os contatos continuaram durante a noite de domingo. O primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi apelou diretamente ao dirigente líbio Mouammar Kadhafi.

swissinfo.ch com agências

Uma prisão celebre

A prisão para a qual Max Göldi deve ser transferido durante foi duramente criticada pelas ONGs HWR e Anistia International. Ain Zara também é tristemente conhecida por ser o local onde ficam detidos arbitrariamente oponentes políticos do regime, segundo um relatório de direitos humanos na Líbia publicado em dezembro.

A prisão dispõe de duas divisões: uma colocada sob o controle dos serviços nacionais de segurança, onde a situação de direitos humanos é inquietante. A outra, para onde irá Max Göldi, é controlada pelo Ministério líbio da Justiça.

Segundo o advogado do suíço Max Göldi, ele terá a todo o momento o direito de receber visitas e também de dispor de um tradutor.

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