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Suíça deve melhorar na luta contra a corrupção

A Suíça está constantemente no topo do Índice de Percepções da Corrupção da Transparência Internacional. Keystone / Alessandro Della Valle

A Suíça é vista como tendo alguns dos mais baixos níveis de corrupção no setor público de acordo com o último Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional. No entanto, a ONG diz que o país ainda tem trabalho a fazer, principalmente no que diz respeito ao lobby político e à lavagem de dinheiro.

Este conteúdo foi publicado em 28. janeiro 2021 - 12:27

A nação alpina está acostumada a ser um dos melhores alunos do ranking anual que mede os níveis percebidos de corrupção no setor público em cerca de 180 países, e o ranking de 2020 não é exceção.

Depois de ter caído uma posição em 2019, a Suíça está de volta ao terceiro lugar (a terceira vez em quatro anos), empatando com a Finlândia, Singapura e Suécia com uma pontuação de 85 de um total de 100. A Nova Zelândia e a Dinamarca marcaram 889 pontos para ocupar a primeira posição. A Somália e o Sudão do Sul se classificaram pior com 12 pontos no 179º lugar, atrás da Síria, que fez 14 pontos.

Publicado pela primeira vez em 1995, o índice é calculado usando 13 fontes de dados diferentes que fornecem percepções da corrupção do setor público por parte de empresários e especialistas do país.

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"A Suíça pontua regularmente bem e isso é uma boa notícia", disse Martin Hilti, diretor da seção suíça da Transparência Internacional. No entanto, ele foi rápido em apontar que o país também está a 15 pontos da melhor pontuação.

Hilti ressaltou que a corrupção continua sendo um problema na Suíça citando vários escândalos nos últimos anos, alguns dos quais incluem a recompensa de contratos públicos. Algumas práticas comuns no setor público também criam conflitos de interesse e, portanto, aumentam o risco de corrupção.

"O clientelismo é uma prática generalizada", disse para swissinfo.ch. Uma questão é que os parlamentares suíços podem ter vários mandatos remunerados fora de suas atividades políticas, o que ele acredita que cria conflitos de interesse.

O diretor da Transparência Suíça também observou controvérsias recentes em que ministros e altos funcionários públicos aceitam cargos no setor privado, assim que seus mandatos políticos terminam.

Além do setor público

Hilti também argumentou que o bom desempenho da Suíça no índice é "perigoso, porque mostra apenas parte da verdade".

Os maiores desafios estão no setor privado, que não está incluído no índice, disse Hilti. Isto pode dizer respeito à lavagem de dinheiro no setor financeiro ou ao envolvimento no financiamento da corrupção no exterior.

A ONG considera que a Suíça ainda não dispõe de mecanismos eficazes para detectar casos de corrupção e para prevenir e erradicar a lavagem de dinheiro.

A base legal da Suíça para combater a lavagem de dinheiro contém lacunas significativas em relação às normas internacionais mínimas, e seu campo de aplicação deveria ser ampliado, argumentou Hilti.

A Suíça também poderia fazer muito mais em termos de proteção contra denúncias, acrescentou ele.

Outro ângulo morto diz respeito às grandes organizações esportivas internacionais, como a FIFA, que estão quase todas sediadas na Suíça e apresentam um risco maior de corrupção devido às enormes quantidades de dinheiro com que lidam.

"Por estarem sediadas na Suíça, a responsabilidade de regulamentá-las é da Suíça", disse Hilti.

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Covid-19 impact

The 2020 edition of the Index also looked at the links between corruption and the government response to Covid-19 noting that corruption “undermines health systems and contributes to the decline of democracy”.

The report shows that the least corrupt countries invest more in the health system, are better able to provide universal health coverage and are less likely to violate democratic norms and institutions or the rule of law.

Transparency International cites the example of Bangladesh (26 points in Index) where there is pervasive corruption in the provision of medical supplies; or the Philippines (34 points), where the fight against coronavirus was accompanied by major attacks on human rights and press freedom.

Even in New Zealand, which took the top spot and has been lauded for its pandemic response, there was room for improvement, the NGO noted. “While the government communicates openly about the measures and policies it puts in place, more transparency is needed around public procurement for Covid-19 recovery,” the organization wrote.

“The Covid-19 pandemic has allowed the centralisation of more power in the hands of governments, thus increasing the risk of abuse,” explained Hilti.

And even if such abuses have not been observed in Switzerland, he said that the pandemic had highlighted problems, especially “the weight of lobbying”.

“We have seen that organizations which had good access to the government or the federal administrations had more opportunities to make their voices heard during the crisis,” he told swissinfo.ch.

Adaptação: Fernando Hirschy

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