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Portugal e os três efes: futebol, fado e Fátima

Fãs portugueses acompanham o jogo Portugal 2 x 1 República Tcheca em Genebra.

(swissinfo.ch)

A paixão dos portugueses pelo futebol, o papel da fé no "esquema tático" de Scolari e a nostalgia com que a mídia lusa lembra os craques do passado evocam uma velha trilogia de Portugal: futebol, fado e Fátima.

Os três efes já foram usados como "ópio do povo". Durante a Euro, especialmente o futebol serve para desviar a atenção dos problemas econômicos do país, diz o Jornal da Madeira.

Dez mil portugueses receberam a seleção das quinas na sua chegada a Neuchâtel (oeste da Suíça), onde está hospedada durante a Euro. Doze mil lotaram o estádio local da Maladière durante os treinos públicos da equipe.

Trinta mil imigrantes em Genebra e milhões de portugueses em Portugal festejaram a vitória sobre a República Tcheca e a classificação para as quartas-de-final. Tanto entusiasmo pelo futebol poucos torcedores da Eurocopa conseguem mostrar. Talvez ainda os holandeses, que inundaram Berna com uma maré laranja.

O futebol faz parte da vida dos portugueses. Conta-se que, logo após o nascimento, os bebês portugueses são vestidos com as cores do clube preferido pelos pais: em Lisboa, com as da "águia vermelha" do Benfica ou as do "leão alviverde" do Sporting.

Lisboa é a capital do futebol português. Seus dois clubes estão entre os maiores do mundo e têm em torno de 100 mil sócios cada. Houve um tempo em que o Benfica tinha quase o monopólio de fornecer os jogadores à seleção. O Porto não tinha chance – era um centro de resistência ao Estado Novo (1933-1974).

Isso mudou após a Revolução dos Cravos em 1974. O Porto conquistou títulos e espaço na seleção, e Portugal passou a exportar seus craques. Hoje a maioria dos selecionados de Scolari joga em grandes clubes europeus. Mas o que mudou em relação à trilogia "futebol, fado e Fátima"?

"Futebol, futebol, futebol"

Sob o regime de António Salazar, o fado representava o nacionalismo português, seus valores e suas tradições, enquanto Fátima representava o catolicismo e o futebol marcava o desenvolvimento desse esporte no país, para fazer esquecer a ditadura.

Hoje o uso político dos três "efes" parece menos evidente, mas persiste, embora durante a Euro, os "FFF" quase se reduzam ao „futebol, futebol, futebol" regido pela Fifa e pela Uefa. Como em outros países, também os políticos portugueses festejam o sucesso da seleção pensando na próxima eleição.

Já Fátima teve um renascimento durante o pontificado de João Paulo II e continua recebendo multidões de peregrinos todos os anos. Em frente à antiga catedral do povoado de 10 mil habitantes foi inaugurada em 2007 a Igreja da Santíssima Trindade, a quarta maior igreja católica do mundo, com 8.600 lugares para sentar.

Não é segredo que muitos portugueses (97% se dizem católicos) peregrinam ao famoso santuário para rezar por seu clube ou pela seleção. O técnico Luiz Felipe Scolari deu um novo impulso a essa fé. Usa como amuleto uma imagem de Nossa Senhora de Fátima e recebe imagens da santa de presente dos fãs.

O passado foi melhor

O fado, que pode ser extremamente melancólico, perdeu sua diva Amália Rodrigues (1920-1999) e o status de música nacional, mas continua vivo. Não só na voz de Teresa Salgueiro, do popular grupo Madredeus, ou de outros jovens talentos da música, como também na nostalgia da mídia portuguesa.

Uma nostalgia que nas conferências de imprensa durante a Euro se manifesta nas insistentes perguntas dos repórteres portugueses sobre os ídolos do futebol do passado, como Eusébio, ou os representantes da "geração de ouro", como Luís Figo ou Pauleta.

O atual capitão da seleção, Nuno Gomes, diz que já não consegue mais ouvir a pergunta sobre por que Portugal, desde Eusébio, não revelou mais grandes centroavantes. Antes da Euro, houve até campanhas para trazer Figo de volta à seleção.

Essa melancolia não pode ser menosprezada. O que os jornalistas esportivos perguntam ou escrevem têm muito peso em Portugal: os jornais de esporte, com A Bola ou Record, são os mais lidos no país – caso único na Europa.

Depois da euforia coletiva da Euro 2004 em casa e do bom desempenho do país na Copa 2006, Portugal sonha com o título na Eurocopa 2008. Se realizar esse sonho, o "F" do futebol vai fortalecer sua supremacia sobre os outros dois "FF", mas sem dispensá-los.

swissinfo, Geraldo Hoffmann

Euro panacéia

"O Euro2008, em futebol, serve de ilusória panaceia para as maleitas que estão a criar chagas no Estado da nação. O governo socialista conseguiu a triste proeza de em cerca de três anos aumentar assustadoramente a pobreza, o endividamento, o desemprego, o encerramento de centenas de empresas, o consumo de drogas, a forçada emigração, a violência e a insegurança. Portugal é governamentalmente um país à deriva. Por muito menos gravidade outros governos foram destituídos."

Alberto Casimiro, Jornal da Madeira, 13/06/08

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Scolari e Fátima

O técnico da seleção portuguesa, Luiz Felipe Scolari, contou na Suíça que recebeu várias imagens de Nossa Senhora de Fátima de presente durante a concentração da equipe em Viseu, centro de Portugal, e uma de uma imigrante portuguesa na Suíça.

"Isso significa que tem gente pensando em mim e que, portanto, não não estou sozinho e sim mais forte", disse.

Na Copa de 2002, ele levou na bagagem para o Japão e a Coréia do Sul uma imagem de Nossa Senhora do Caravaggio (venerada pelos descendentes de italianos no sul do Brasil).

Depois que assumiu o comando da seleção portuguesa, juntou a ela uma imagem de Nossa Senhora de Fátima.

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