Reabertura das fronteiras europeias gera reações mistas

Os bloqueios de estradas na Basileia, na fronteira entre a Suíça e a França, foram removidos em 12 de junho de 2020. Keystone / Georgios Kefalas

O fim das restrições de viagem na Europa foi comemorado em algumas cidades suíças e causado ansiedade em outras.

Este conteúdo foi publicado em 16. junho 2020 - 13:47
swissinfo.ch/fh

Na segunda-feira de manhã, as barreiras foram reabertas nas cidades fronteiriças de toda a Suíça cerca de três meses após as restrições de entrada terem sido colocadas para evitar a propagação da Covid-19. Durante o período de semi-confinamento, os postos de fronteira foram reduzidos em 60-70%.

Em entrevista à televisão pública suíça SRF na segunda-feira de manhã, a ministra da Justiça suíça Karin Keller-Sutter disse que um direito fundamental havia sido restaurado aos cidadãos: a liberdade de ir e vir. Mas ela ressaltou que isso não significa o fim da pandemia.

Perto da Basileia, no noroeste da Suíça, representantes das autoridades suíças, francesas e alemãs comemoraram a reabertura das fronteiras na segunda-feira de manhã na ponte dos Três Países sobre o Rio Reno. Eles enfatizaram a importância da cooperação transfronteiriça para evitar novos fechamentos deste tipo no futuro.

Aplausos e vivas também marcaram a remoção da última barreira em torno do Lago de Constança, na fronteira com a Alemanha. Representantes de ambos os lados cortaram os arames que ligam as cercas e depois se encontraram entre as duas barreiras, cada uma carregando uma garrafa de vinho para brindar juntos.

Lojas e restaurantes em Constança - um destino popular para compradores suíços transfronteiriços - não foram tomados pela enxurrada de pessoas na segunda-feira, mas as ruas estavam bem mais movimentadas do que uma manhã típica de segunda-feira.

A Administração Aduaneira Federal relatou que os postos de fronteira foram muito utilizados na manhã de segunda-feira, particularmente a auto-estrada entre a Suíça e a Alemanha, em Rheinfelden.

No cantão de língua italiana Ticino, no sul do país, a abertura da fronteira foi recebida com mais ansiedade. Como relatado pela SRF, algumas pessoas na região sentiram que era muito cedo para abrir a fronteira, enquanto outras a viram como um passo para a normalização. De acordo com relatos, foi relativamente tranquilo nos cruzamentos em Chiasso, no Ticino, na segunda-feira de manhã.

Será necessária alguma adaptação às diferentes exigências do país, em especial o uso de máscaras, que é obrigatório nos transportes públicos e nas lojas de alguns países e cidades vizinhas.

Viagens aéreas

Cerca de 2.500 passageiros chegaram ao aeroporto de Genebra e cerca de 15 voos foram planejados para a partida para várias cidades da Europa. Os passageiros foram recepcionados no aeroporto por funcionários que distribuíram máscaras protetoras e pequenos chocolates.

André Schneider, diretor do Aeroporto de Genebra, disse à agência de notícias Keystone-SDA que provavelmente levaria 2 a 3 anos para voltar aos níveis de passageiros do ano passado. Nesta época do ano, o número diário de passageiros normalmente varia entre 40.000 e 60.000 por dia.

O Ministério da Saúde suíço anunciou na segunda-feira que está tomando precauções especiais de segurança para viajantes vindos de países com altos índices de infecção. Na segunda-feira, todos os passageiros de voos diretos da Suécia para a Suíça foram examinados para verificar se estavam com febre.

Um porta-voz do Ministério disse à Keystone-SDA que ninguém teve febre no primeiro voo direto da Suécia na segunda-feira. A Suécia é, por enquanto, o único país afetado com a medida adicional de segurança sanitária.

Partida do Exército

A reabertura das fronteiras na segunda-feira também marcou o fim da presença do exército suíço ao longo das fronteiras.

Na noite de domingo, 630 militares completaram suas funções, disse o Ministério da Defesa. Desde 27 de maio, os militares apoiavam a administração aduaneira federal nas fronteiras com a França nos cantões de Genebra e Jura, bem como na região da Basileia.  

Mais de 700 militares haviam sido originalmente destacados para monitorar as fronteiras, mas após a flexibilização das restrições com a Alemanha e Áustria no final de maio, a alfândega não precisava mais de apoio nas fronteiras do norte e leste.

Uma entrega oficial da bandeira ocorreu na noite da segunda-feira, na presença do general Aldo Schellenberg, chefe das operações da "Corona 20". Os militares serão oficialmente liberados de suas funções na quarta-feira de manhã.

O contingente fez parte da maior mobilização do exército suíço dos últimos 80 anos. Até 5.000 soldados estavam em serviço, notadamente para serviços de logística em hospitais e casas de repouso.

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