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Por Jason Lange e Alexandra Alper

GARNER, Iowa/CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - Agricultores do maior polo agrícola dos Estados Unidos que ajudaram a eleger o presidente Donald Trump agora estão pressionando o governo a evitar uma guerra comercial com o México, temendo tarifas retaliatórias que poderiam prejudicar mais de 3 bilhões de dólares em exportações norte-americanas.

O valor das exportações em risco é baseado em uma análise feita pela Reuters sobre uma lista de tarifas que o México usou em uma disputa sobre caminhões seis anos atrás e que autoridades mexicanas disseram poder servir como modelo se Trump criar novas barreiras para seus bens.

Os produtores de carne suína contactaram a equipe de transição de Trump pouco depois da eleição de 8 de novembro para enfatizar que o acesso livre de tarifas transformou o México no seu maior mercado de exportação por volume, disse John Weber, presidente do Conselho Nacional de Produtores de Carne Suína.

    "Continuamos martelando para eles o quão crítico é o comércio", disse Weber, que teme que o México ressuscite a lista de produtos majoritariamente agrícolas que usou com sucesso para forçar Washington a permitir a circulação de caminhoneiros mexicanos nas rodovias dos EUA em 2011.

    Os produtos de carne suína encabeçam a lista e, se retomadas, as tarifas iriam atingir mais de 800 milhões de dólares de exportações anuais de carne suína, de acordo com dados compilados pelo Atlas Comercial Global da consultoria IHS Markit. "Seremos os primeiros a ser atingidos", afirmou Weber.

    O lobby de empresas dos EUA que dependem do mercado mexicano mostra como o vizinho do sul pode postular seu caso em Washington, mesmo tendo uma economia que é 1/17 do tamanho da norte-americana e necessitando de seu mercado para quase 80 por cento de suas exportações.

    No Estado de Iowa, onde há sete porcos por pessoa, o produtor de carne suína e de grãos Jamie Schmidt votou em Trump em parte devido à sua promessa de cortar os entraves regulatórios para os negócios.

Agora ele e outros que cultivam a terra plana e rica em torno de Garner, Iowa, se preocupam com o comércio. Schmidt obtém cerca de metade de sua renda de suínos, lucrando 4 a 5 dólares para cada um dos 425 suínos que ele vende por semana, geralmente para uma planta de empacotamento da Tyson Foods em Perry, Iowa.

    As tarifas mexicanas poderiam reduzir os preços no atacado dos EUA e acabar com seu lucro, disse ele. "Seria devastador".

    A Reuters não conseguiu verificar uma lista completa de produtos e Estados norte-americanos que o México poderia impor tarifas, mas no mês passado o Ministério das Relações Exteriores mexicano disse que as tarifas poderiam atingir Iowa, que cria um terço dos porcos dos EUA.

    (Reportagem adicional de Michael O'Boyle e Christine Murray na Cidade do México)

((Tradução Redação São Paulo, +5511 56447719))

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