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Ivanka Trump, filha e assessora do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 25/04/2017 REUTERS/Michael Sohn

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Por John Ruwitch

XANGAI (Reuters) - Um homem foi preso e dois estão desaparecidos na China depois de investigarem uma empresa chinesa que fabrica os sapatos de uma marca de Ivanka Trump, disse nesta quarta-feira o China Labor Watch, grupo de ativistas sediado em Nova York.

O ativista do trabalho Hua Haifeng foi preso na província de Jiangxi pela suspeita de usar equipamento de escuta ilegalmente, de acordo com Li Qiang, diretor-executivo do China Labor Watch.

Os três homens estavam investigando as condições de trabalho nas fábricas que produzem os calçados para Ivanka Trump, filha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e outras marcas ocidentais, disse ele em um email.

"Apelamos ao presidente Trump, à própria Ivanka Trump e à empresa relacionada à sua marca para que advoguem e pressionem pela libertação de nossos ativistas", disse a China Labor Watch em e-mail à Reuters.

A marca Ivanka Trump não quis comentar, e a Casa Branca e o advogado de Ivanka, Jamie Gorelick, não responderam de imediato a pedidos de comentário.

As ligações para a polícia de Jiangxi e para a polícia da cidade de Ganzhou não tiveram resposta.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês Hua Chunying disse não saber nada sobre a situação e não fez outros comentários.

A prisão e os desaparecimentos relatados ocorreram em um momento de pressão contínua contra ativistas do trabalho na China, em meio a uma campanha de repressão sob comando do presidente chinês, Xi Jinping.

Em anos recentes muitos ativistas de direitos trabalhistas relataram ter sido intimidados e assediados, detidos temporariamente ou restringidos em sua movimentação.

Li disse que, em 17 anos de ativismo, incluindo investigações em centenas de fábricas chinesas, seu grupo jamais havia visto um membro ser preso pela suspeita de ter cometido um crime.

"Esta é a primeira vez em que nos deparamos com este tipo de situação", afirmou, acrescentando que a acusação contra Hua "não tem base factual".

(Reportagem adicional da Redação de Xangai; David Brunnstrom, em Washington; e Nandita Bose. em Bentonville, Arkansas)

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