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Ex-embaixador britânico na União Europeia, John Kerr, posa para fotos após coletiva de imprensa em Londres 10/11/2017 REUTERS/Simon Dawson

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Por Guy Faulconbridge e Andrew MacAskill

LONDRES (Reuters) - A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, deveria parar de enganar os eleitores e admitir que a saída britânica da União Europeia, conhecida como Brexit, pode ser evitada se o país decidir unilateralmente desistir das conversas de separação, disse o homem que redigiu o Artigo 50 do Tratado de Lisboa nesta sexta-feira.

May, que notificou a UE formalmente sobre a intenção do Reino Unido de sair do bloco acionando o Artigo 50 em 29 de março, disse que não tolerará nenhuma tentativa do Parlamento de bloquear o Brexit.

Ao acionar o Artigo 50, ela iniciou a contagem regressiva de um processo de saída de dois anos que até agora não produziu um acordo de desfiliação e que foi interrompido por sua aposta em uma eleição antecipada em junho que custou ao seu partido a maioria parlamentar.

"Enquanto as conversas do divórcio prosseguem, as partes ainda estão casadas. A reconciliação ainda é possível", disse John Kerr, embaixador britânico na UE entre 1990 e 1995, em um discurso feito em Londres.

"Podemos mudar de ideia em qualquer estágio durante o processo", explicou Kerr, que acrescentou que as exigências legais do Artigo 50 foram mal explicadas no Reino Unido. "O povo britânico tem o direito de saber disto: eles não deveriam ser enganados".

No dia em que o acionou, May disse ao Parlamento que "não há volta", e nesta sexta-feira insistiu que o país deixará a UE no dia 29 de março de 2019.

Em um referendo de junho de 2016, 51,9 por cento dos eleitores apoiaram o rompimento com o bloco e 48,1 por cento escolheram a permanência.

Os apoiadores do Brexit argumentam que uma tentativa de deter o processo de saída seria antidemocrática, enquanto opositores dizem que o país deveria ter o direito de dar a palavra final sobre qualquer acordo de separação negociado.

May, inicialmente uma opositora do Brexit que conquistou o cargo na esteira do tumulto político que se seguiu à votação, disse no mês passado que o Reino Unido não revogará o Artigo 50.

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Reuters