Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Esgoto no vale do Cédron, nos arredores de Jerusalém 06/07/2017 REUTERS/Ronen Zvulun

(reuters_tickers)

Por Ari Rabinovitch

JERUSALÉM (Reuters) - Há um cheiro ruim emanando do vale bíblico do Cédron, tão ruim que o rei Davi e Jesus, que teriam caminhado pelo local milhares de anos atrás, hoje precisariam desviar para chegar a Jerusalém.

Há décadas, um quarto do esgoto de Jerusalém corre a céu aberto pelo vale do Cédron, circundando as colinas da cidade e atravessando o deserto da Judeia rumo ao leste, e em certas circunstâncias chega a vazar para o Mar Morto.        

O córrego atravessa terras administradas por israelenses e palestinos, tornando difícil resolver o problema, mas finalmente parece que uma solução foi encontrada.

Autoridades dos dois lados concordaram em drenar o esgoto do vale. De acordo com o plano, um aqueduto será construído para levar a água do esgoto diretamente para novas instalações de tratamento. Cada lado irá financiar e construir a parte que atravessa seu território.

Mas, até que isso aconteça, cerca de 12 milhões de metros cúbicos de esgoto continuam a escorrer pelo vale a cada ano.

"É claro que está prejudicando o meio ambiente e o sistema ecológico", disse Shony Goldberger, diretor do distrito de Jerusalém no Ministério de Proteção Ambiental de Israel.

"É perigoso e danoso à saúde das pessoas de muitas maneiras".

Além do esgoto de Jerusalém, o efluente de Belém e de vilarejos árabes próximos se junta ao córrego no declive de 30 quilômetros, que atravessa a Cisjordânia ocupada.

Plantas crescem anormalmente no que deveria ser um vale seco, animais bebem no local e pilhas de lenços higiênicos para bebês que são jogados em milhares de vasos sanitários se amontoam esporadicamente ao longo das margens. O esgoto penetra na terra, criando o risco de contaminar a água subterrânea.

Perto do final de sua jornada, o córrego se acumula em uma piscina improvisada, e grande parte dele é usado para irrigar tamareiras, que têm grande resistência a poluentes. Mas de quando em quando a gravidade puxa os resíduos ao local mais baixo da terra, o Mar Morto.

"Depois de décadas sendo incapazes de resolver o problema, por mil e uma razões, profissionais e políticas, chegamos a um acordo para construir um aqueduto no vale", disse o major-general Yoav Mordechai, coordenador das atividades do governo de Israel na Cisjordânia, à Reuters.

A Autoridade de Águas Palestina disse que o acordo foi firmado devido a um "interesse em limpar a área", mas enfatizou que os dois lados estão trabalhando separadamente.

(Reportagem adicional de Ali Sawafta)

Reuters