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Soldados israelenses perto da fronteira com a Faixa de Gaza. 18/07/2014 REUTERS/ Baz Ratner

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Por Noah Browning

GAZA (Reuters) - Palestinos de Gaza encolhiam-se temendo por suas vidas enquanto militantes do Hamas pediam por valentia depois de Israel enviar forças, na quinta-feira, ao densamente povoado território após 10 dias de trocas de tiros na fronteira.

Pessoas abandonaram casas em ruas normalmente apinhadas depois de uma noite de bombardeios. Navios lançando tiros de metralhadoras aproximaram-se da costa mediterrânea do enclave no deserto, com disparos de artilharia iluminando de laranja o horizonte a cada poucos segundos e balançando edifícios com ataques aéreos.

Grupos pequenos de homens sonolentos marcharam para as orações da sexta-feira na Cidade de Gaza, apesar do incômodo frequente da artilharia israelense.

"Estamos aterrorizados. Minha família inteira ouve as bombas caindo ao nosso redor e podemos ser atingidos a qualquer momento. Nós sentimos que não há nada que possamos fazer para nos proteger", disse Yousef al-Hayek, de 60 anos, vestindo uma túnica branca e apertando um terço islâmico.

"Tudo está nas mãos de Deus. A invasão era esperada, mas agora como irá terminar não está claro. Nós temos a esperança de uma trégua."

Entre os 23 palestinos mortos na escuridão da noite após as operações terrestres israelenses anunciadas para destruir túneis subterrâneos usados por militantes, três eram jovens primos -- Mohammed, Mohammed e Ali Nutaiz, com idades entre 4 e 26 anos.

Eles fugiram com suas famílias do fogo de tanques israelenses em uma cidade da fronteira, apenas para serem mortos quando a casa onde se abrigavam foi bombardeada, disse um parente à Reuters durante o funeral.

Médicos palestinos dizem que 222 dos 260 habitantes de Gaza mortos na ofensiva de Israel eram civis, incluindo 40 crianças.

O Hamas, por outro lado, saudou o avanço de Israel e afirmou não poder esperar para matar e capturar soldados, depois de muitos dos seus 1.400 foguetes --de acordo com o Exército israelense-- serem desviados. Um civil israelense foi morto, além de um soldado, durante a incursão.

"Vocês estão nos prometendo o que estamos esperando? Gaza está esperando por vocês, para que sofram a morte amarga", disse Abu Ubeida, porta-voz mascarado da ala armada do Hamas, as Brigadas al-Qassam.

"O mundo verá as caveiras dos seus soldados pisadas pelos pés descalços de nossas crianças. Nós iremos transformar isso na esperança da prometida liberdade amanhecendo em breve para nossos prisioneiros", afirmou, referindo-se à esperança de sequestrar soldados israelenses e trocá-los por prisioneiros palestinos.

Israel afirma tomar cuidado para evitar vítimas civis e que tem como alvo apenas os militantes e suas armas. Diz, no entanto, que o objetivo não é fácil, porque os grupos atiradores de foguetes utilizam áreas residenciais como cobertura contra um inimigo com poder de fogo muito superior.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse nesta sexta-feira que "a força de defesa israelense é um exército singularmente moral e não aspira ferir nenhuma pessoa inocente. Nem mesmo um. Agimos apenas contra alvos terroristas e lamentamos qualquer dano, por engano, provocado a civis."

((Tradução Redação Brasília, 5561 3426 7022))

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