LA PAZ/BUENOS AIRES (Reuters) - O Ministério das Relações Exteriores da Bolívia pediu nesta quarta-feira ao governo da Argentina, onde o ex-presidente boliviano Evo Morales se encontra refugiado, que repudie as declarações do líder indígena, que no final de semana defendeu a criação de grupos armados de defesa no país andino.

Morales disse à Reuters no domingo que os bolivianos têm o direito de se organizar para se defender --sem armas de fogo-- dos ataques do governo de seu país, o qual disse ser produto de um golpe de Estado que o obrigou a renunciar ao mandato no início de novembro.

"Pedimos ao governo argentino para repudiar as práticas de Evo Morales, incompatíveis com a lei e a ordem pública internacional", disse a chancelaria da Bolívia em comunicado, que detalhou que a chanceler boliviana, Karen Longaric, enviou uma carta diplomática ao seu par argentino, Felipe Solá.

"Preocupa-nos que Evo Morales induza a República Argentina a infringir normas e princípios internacionais".

A Reuters entrou em contato com a chancelaria argentina, mas um porta-voz não quis comentar o comunicado do governo boliviano e acrescentou que a Argentina não reconhece o governo da presidente interina boliviana, Jeanine Áñez.

"Estamos esperando eleições transparentes para reconhecer o próximo governo da Bolívia", disse.

Em uma entrevista publicada no domingo no portal de notícias El Cohete a la Luna, o presidente Fernández disse que Morales, que chegou à Argentina em dezembro, tem os mesmos direitos de qualquer cidadão argentino e que seu governo não os condicionará de maneira nenhuma.

(Por Mónica Machicao, em La Paz, e Maximilian Heath, em Buenos Aires)

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