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Palestinos observam os destroços de um prédio de uma organização beneficente, supostamente atingido por ataques aéreos israelenses, em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, nesta segunda-feira. 25/08/2014 REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa

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Por Nidal al-Mughrabi e Allyn Fisher-Ilan

GAZA (Reuters) - Ataques aéreos israelenses realizados antes do amanhecer de terça-feira (horário local) mataram dois palestinos e destruíram grande parte de um dos mais altos prédios de apartamentos e escritórios de Gaza, provocando grandes explosões e ferindo 20 pessoas, afirmaram autoridades de Saúde palestinas.

Israel não comentou imediatamente os ataques, que aconteceram enquanto mediadores egípcios intensificavam os esforços para alcançar um acordo de cessar-fogo para acabar com o conflito que já dura sete semanas.

Autoridades palestinas dizem que 2.125 pessoas, a maioria delas civis, incluindo mais de 490 crianças, já foram mortas em Gaza desde 8 de julho, quando Israel lançou a ofensiva com o objetivo de conter os disparos de foguetes em direção ao seu território.

Do lado israelense, 64 soldados e quatro civis foram mortos.

Autoridades palestinas afirmaram que 70 famílias moravam no prédio de 13 andares, que estava inclinado depois das explosões. A estrutura também abrigava escritórios e um complexo comercial.

Centenas de vizinhos em casas na região também estavam deixando o local para evitar ferimentos em possíveis desabamentos, disseram testemunhas.

Um número maior de vítimas foi evitado por avisos emitidos para que moradores deixassem suas casas, além de dois mísseis não-explosivos de advertência disparados por drones, que são veículos aéreos não-tripulados.

Os ataques seguiram um dia de muitos disparos em direção a Israel, cujo Exército afirmou que mais de 130 foguetes e bombas de morteiros foram lançados contra o seu território. Um deles teria ferido um civil.

O Hamas assumiu a responsabilidade pelos disparos contra Tel Aviv - pelo menos um deles teria sido derrubado pelo interceptor israelense Domo de Ferro. Sirenes soaram nas comunidades israelenses vizinhas ao aeroporto internacional Ben-Gurion.

Bombardeios israelenses na última terça-feira mataram pelo menos nove palestinos em Gaza.

Dois foguetes foram disparados em direção a Israel através da fronteira libanesa, depois do anoitecer nesta segunda-feira. O Exército de Israel disse que respondeu disparando sua artilharia em direção à "fonte do ataque". Não houve relatos de mortos ou feridos.

Apesar da escalada de violência, há indícios de que palestinos e israelenses possam estar rumando para um novo acordo de cessar-fogo.

EGITO PROPÕE TRÉGUA DEFINITIVA

Qais Abu Leila, importante autoridade palestina envolvida nas negociações de trégua mediadas pelo Egito, afirmou que o Cairo havia proposto uma trégua definitiva.

A mídia israelense disse que um acordo poderia acontecer dentro de horas. Várias tréguas anteriores fracassaram depois de alguns dias.

A mais recente iniciativa do governo egípcio pede uma abertura imediata das passagens de Gaza para Israel e Egito para auxiliar nos esforços de reconstrução no território e será seguida por conversas para aliviar por um longo tempo o bloqueio a Gaza.

Hamas e Israel se culparam pelos atrasos para atingir o acordo, e as negociações foram complicados pelo fato de que ambos os lados se recusam a conversar entre eles, se comunicando apenas indiretamente, principalmente via intermediários egípcios.

Uma autoridade israelense falando sob condição de anonimato disse que Israel consideraria a proposta se o Hamas estivesse pronto para aceitá-la.

O Hamas afirmou que não deve parar de lutar até que o bloqueio ao enclave onde vivem 1,8 milhões de pessoas seja suspenso.

Tanto Israel quanto o Egito veem o Hamas como uma ameaça à segurança e exigem garantias de que armas não irão entrar em Gaza. Israel chamou de volta seus negociadores que estavam no Cairo na terça-feira passada depois que o acordo de cessar-fogo fracassou.

Os Estados Unidos começaram separadamente a preparar seu próprio esboço para uma resolução da Organização das Nações Unidas para exigir um cessar fogo e trabalham ao lado de potências europeias e da Jordânia para chegar ao acordo final, afirmaram diplomatas nesta segunda-feira.

(Reportagem adicional de Lou Charbonneau)

Reuters