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Por Phil Stewart
WASHINGTON (Reuters) - Um sistema antimísseis dos EUA robusto demais pode ter efeitos adversos e causar instabilidades, levando países como a China a ampliar seus arsenais nucleares, disse um brigadeiro norte-americano na terça-feira.
Kevin Chilton, chefe do Comando Estratégico dos EUA, não questionou o atual sistema, que foi revisto em setembro pelo presidente Barack Obama e pelo Pentágono. Mas ele explicou que será preciso realizar cálculos cuidadosos antes de fortalecer as defesas dos EUA contra ameaças de países como a Coreia do Norte.
"Temos de ser cautelosos com a defesa de mísseis. A defesa de mísseis pode ser desestabilizadora dependendo de como se monta", disse Chilton numa conferência sobre defesa em Washington.
Ele apresentou um cenário - o qual "nenhum de nós gostaríamos de ver" - em que centenas de interceptadores seriam instalados no lado leste dos EUA.
"Isso nos faz sentir mais seguros, não é? Mas o que isso faria os chineses pensarem sobre sua capacidade dissuasória? Isso poderia na verdade encorajá-los a duplicar, triplicar, quadruplicar suas atuais forças nucleares. Por que eles sentiriam que sua dissuasão já não é mais viável."
Críticos republicanos dizem que a decisão de Obama de alterar os planos para a defesa antimísseis na Europa, priorizando o combate a mísseis iranianos de curto e médio alcance, deixaria os EUA e parte da Europa Ocidental mais vulneráveis a ataques dos mísseis balísticos intercontinentais iranianos.
Mas o Pentágono assegurou que 30 interceptadores de mísseis a serem instalados no Alasca e na Califórnia até o final de 2010 deixarão os EUA totalmente protegidos contra os mísseis balísticos do Irã.
Chilton afirmou que a defesa antimísseis é crucial contra países como Coreia do Norte e Irã, pois eles não temem as ameaças norte-americanas de retaliação - o que torna ineficaz a estratégia de dissuasão usada contra a União Soviética na época da Guerra Fria.
"Não está claro que o puro poderio nuclear ou o poderio convencional possam dissuadi-los se eles tiverem a capacidade de (atacar) os EUA ou um aliado, um amigo na região, com um míssil de capacidade nuclear", disse Chilton. "Esse é um argumento convincente para a defesa antimísseis."

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Reuters