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Premiê britânica, Theresa May, e o marido, Philip, deixam local de votação em Sonning. 08/06/2017 REUTERS/Eddie Keogh

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Por Estelle Shirbon

LONDRES (Reuters) - Os britânicos foram às urnas nesta quinta-feira para votar em uma eleição antecipada que, segundo pesquisas, irá dar à primeira-ministra Theresa May uma maioria parlamentar mais ampla, que ela espera fortalecer sua posição nas negociações sobre a desfiliação do Reino Unido da União Europeia.

Um último levantamento confirmou outras pesquisas das últimas 24 horas, indicando que os conservadores ampliaram sua vantagem após uma campanha complicada na qual o apoio ao Partido Conservador, governista, pareceu estar recuando em alguns momentos.

Mas um de cada cinco eleitores ainda estava indeciso nesta semana após uma campanha de sete semanas que foi ofuscada em seus momentos finais por dois ataques de militantes islâmicos que mataram 30 pessoas em Manchester e Londres.

A maioria das seções eleitorais reforçou a segurança ao abrir às 7h locais, e policiais armados devem auxiliar agentes convencionais em algumas seções.

May sorriu, mas não conversou com a imprensa, quando ela e seu marido, Philip, votaram no vilarejo de Sonning, em Maidenhead, seu distrito eleitoral. 

Seu principal opositor, o líder trabalhista Jeremy Corbyn, abriu um sorriso e acenou com os polegares aos repórteres e a funcionários do partido ao votar em Islington, no norte de Londres.

"Estou muito orgulhoso de nossa campanha", disse.

Uma pesquisa Ipsos Mori para o jornal London Evening Standard divulgada nesta quinta-feira mostrou os conservadores com 44 por cento e os trabalhistas com 36 por cento das intenções de voto, uma dianteira maior do que aquela de uma semana atrás, mas longe da vitória folgada prevista quando May convocou a eleição antecipada sete semanas atrás.

"Os conservadores sofreram um abalo na semana passada, mas recuperaram uma vantagem clara nos últimos dias", disse Gideon Skinner, direto de pesquisa política do instituto Ipsos Mori.

A libra atingiu sua maior alta em duas semanas pela manhã em Londres, depois da divulgação das sondagens mais recentes.

Mas as apostas do mercado a respeito de quão volátil a moeda irá se mostrar ao longo das próximas 24 horas atingiram seu pico, em um ano no qual algumas pesquisas mostraram que a eleição se tornou disputada demais para qualquer previsão.

A votação termina às 22h (horário local), quando uma pesquisa de boca de urna será divulgada. Os resultados dos primeiros assentos parlamentares devem ser anunciados à meia-noite, e a grande maioria das 650 zonas eleitorais deve anunciar seus números entre as 3h e as 6h da manhã de sexta-feira.

Os dois principais partidos ficaram na defensiva após o ataque de sábado com uma van e com facas no centro londrino. May foi questionada devido ao corte no número de policiais durante seus seis anos como ministra do Interior, e Corbyn foi criticado por votar contra algumas medidas legislativas de contraterrorismo, entre outras coisas.

A polícia responsável pela investigação dos ataques fatais na Ponte de Londres disse ter prendido mais três suspeitos no final da quarta-feira. Dois deles, de 27 e 29 anos de idade, foram detidos pela suspeita de prepararem atos de terrorismo, e o terceiro por possíveis delitos ligados a drogas.

Nas últimas horas da campanha, os dois líderes retomaram seus temas centrais.

"Se fizermos o Brexit direito, podemos construir um Reino Unido que seja mais próspero e mais seguro, um Reino Unido no qual a prosperidade e a oportunidade sejam compartilhadas por todos", disse May em um apelo final para que o eleitorado confie que ela irá "trabalhar duro e dar conta do recado".

Desde que assumiu como premiê sem uma eleição, na esteira do tumulto que se seguiu ao referendo do Brexit do ano passado, May deseja um mandato pessoal e uma maioria parlamentar maior do que aquela que herdou de seu antecessor, David Cameron.

Baseando sua campanha no slogan de uma "liderança forte e estável", May afirmou que só ela pode enfrentar os 27 líderes da UE e conseguir um acordo que dará a seu país um controle maior sobre a polícia imigratória e ao mesmo tempo assegurar termos favoráveis nas relações comerciais.

Ela retratou Corbyn como o líder fraco e infeliz de um partido esbanjador que iria prejudicar os eleitores com um "bombardeio de impostos", arrasar a economia e fracassar nas negociações do Brexit.

Corbyn reagiu afirmando que a austeridade fiscal imposta pelos conservadores desde 2010 prejudicou os pobres e ampliou as desigualdades sociais.

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