Navigation

Skiplink navigation

Cegado por balas de borracha, estudante chileno se torna símbolo de protestos

Estudante Gustavo Gatica espera atendimento médico após ser atingido por bala de borraha durante protesto no Chile 08/11/2019 REUTERS/Osvaldo Pereira reuters_tickers
Este conteúdo foi publicado em 04. dezembro 2019 - 15:56

Por Aislinn Laing e Gabriela Donoso

SANTIAGO (Reuters) - Manifestantes contrários ao governo do presidente do Chile, Sebastián Piñera, se solidarizaram com um estudante que foi cegado por balas de borracha da polícia, e a família do jovem espera que uma foto que registrou os ferimentos aumente a pressão internacional sobre o governante.

O nome de Gustavo Gatica é bradado diante da polícia, exibido em cartazes e pichado em muros de toda a cidade de Santiago.

Gatica, de 22 anos, tirava fotos de um protesto no dia 8 de novembro quando foi atingido. Seu caso se tornou um símbolo da fúria contra a polícia chilena, acusada de cometer abusos de direitos humanos generalizados durante as mais de seis semanas de manifestações contra a desigualdade social, que já deixaram ao menos 26 mortos e 13 mil feridos, de acordo com procuradores e organizações de direitos humanos.

Ele é um de dois casos conhecidos de pessoas que ficaram completamente cegas, mas ao menos 241 chilenos sofreram lesões oculares durante os protestos, segundo o Instituto de Direitos Humanos do Chile.

Piñera vem tentando apaziguar os manifestantes com um pacote de gastos e a votação de uma nova Constituição, mas as marchas continuam e tiveram um pico no último final de semana, quando médicos confirmaram em um comunicado que não conseguiram salvar os olhos de Gatica.

Na semana passada, o ministro do Interior, Gonzalo Blumel, disse que o caso de Gatica é "profundamente doloroso" e deixou claro que os protocolos policiais sobre o uso de força precisam ser revisados. Piñera não estava disponível de imediato para comentar.

A polícia suspendeu o uso de balas de borracha, exceto em casos de ameaça à vida.

Mario Rozas, o chefe da polícia chilena, disse em uma entrevista concedida à CNN três dias após o acidente que identificou os agentes que dispararam balas de borracha e que a força está cooperando com os procuradores. "Lamento profundamente o que Gustavo sofreu", afirmou.

A polícia não quis comentar mais, já que o caso está sendo investigado, mas disse que está estudando reformas "profundas" para garantir "uma proteção melhor dos direitos humanos".

Gustavo e seus pais não quiseram ser entrevistados pela Reuters.

Falando em nome dos familiares, o irmão de Gustavo, Enrique Gatica, disse à Reuters na casa da família, localizada em Colina, a 30 quilômetros de Santiago, que seu irmão ainda está acompanhando os protestos e incentivando-os.

"Se o medo e a repressão triunfarem, se voltarmos a todas as indignidades em que estamos vivendo como sociedade, seria extremamente doloroso", disse Enrique.

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo