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Alto comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, durante coletiva de imprensa em Genebra, na Suíça 30/08/2017 REUTERS/Denis Balibouse

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Por Stephanie Nebehay

GENEBRA (Reuters) - O alto comissário da ONU para os direitos humanos alertou nesta segunda-feira que o governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pode minar ainda mais as instituições democráticas e que crimes contra a humanidade já podem ter sido cometidos pelas forças de segurança venezuelanas.

A Venezuela vem sendo abalada há meses por manifestações quase diárias contra o presidente, que críticos acusam de ter mergulhado o país rico em petróleo na pior crise econômica de sua história e o estar transformando em uma ditadura.

"Existe um perigo muito real de as tensões escalarem mais e o governo reprimir instituições democráticas e vozes críticas", disse Zeid Ra'ad al Hussein ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).

O governo está recorrendo a processos criminais contra líderes da oposição, detenções arbitrárias, uso excessivo da força e maus tratos de detidos que em alguns casos equivalem à tortura, afirmou.

No mês passado, o escritório de direitos humanos da ONU disse que as forças de segurança venezuelanas cometeram violações de direitos humanos abrangentes e aparentemente deliberadas na contenção dos protestos antigoverno e que a democracia estava ameaçada na nação.

"Minha investigação sugere a possibilidade de que crimes contra a humanidade tenham sido cometidos, o que só pode ser confirmado por uma investigação criminal subsequente", disse Zeid nesta segunda-feira.

O chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza Montserrat, defendeu o histórico de seu país nesta segunda-feira ao fórum de 47 integrantes em Genebra, rejeitando como "infundados" os relatos do escritório de direitos humanos da ONU que apontaram violações graves de suas forças de segurança contra manifestantes.

"A oposição na Venezuela voltou ao caminho do Estado de Direito e da democracia, veremos um diálogo emergindo graças à mediação de nossos amigos", afirmou Arreaza ao Conselho de Direitos Humanos da ONU ao som de aplausos.

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Reuters