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Por Emma Graham-Harrison e Chris Buckley
PEQUIM (Reuters) - A China anunciou nesta quinta-feira sua primeira meta para cortar as emissões de gases que provocam o efeito estufa, um objetivo de intensidade de carbono que o premiê Wen Jiabao levará à conferência sobre o clima de Copenhague no mês que vem como o principal compromisso do país asiático.
O anúncio ocorreu um dia depois de os Estados Unidos divulgarem a proposta de cortar os gases-estufa até 2020 e confirmarem que o presidente Barack Obama comparecerá às conversações lideradas pela Organização das Nações Unidas (ONU) na Dinamarca.
A China, o principal emissor de gases-esfufa oriundos da atividade humana, afirmou que Wen também comparecerá às negociações, que ocorrerão entre 7 e 18 de dezembro. O país asiático prometeu cortar a quantia de dióxido de carbono produzida para cada yuan da renda nacional entre 40 e 45 por cento até 2020, em comparação com os níveis de 2005.
A proposta chinesa foi saudada como um compromisso político vital para reavivar as negociações paralisadas, a fim de estabelecer um novo sistema de referência para combater o aquecimento global, mesmo que os analistas tenham advertido que, tecnicamente, ela tenha sido muito modesta para a China.
"Ela é muito similar aos 15 anos anteriores de progresso", disse Jim Watson, que estuda as trajetórias das emissões no Tyndall Centre para pesquisa em mudança climática, da Grã-Bretanha.
"Acrescente-se a isso outras reestruturações econômicas ao longo do tempo e essa meta soa eminentemente factível. Mas por certo é de grande ajuda para Copenhague ter esse número sobre a mesa", acrescentou.
Já não há mais tempo para que a conferência estabeleça um acordo legalmente vinculante após discussões rancorosas entre os países ricos e pobres sobre quem deveria cortar as emissões, em quanto e quem deveria pagar a conta. Mas aumenta a esperança de que um pacto político substancial possa ser selado no encontro de dezembro.
A meta da China vem depois de Brasil e Indonésia, outros dois grandes emissores, também anunciarem duras metas de redução para 2020.
Num lembrete das graves disputas que ainda lançam sombras sobre a cúpula de Copenhague, no entanto, o principal enviado da China para o clima criticou os países desenvolvidos, dizendo que eles estariam negligenciando os esforços para cortar as emissões e que a meta chinesa era obrigatória apenas internamente.
"Até agora não observamos ações concretas e comprometimentos substanciais da parte dos países desenvolvidos", afirmou Xie Zhenhua, chefe-adjunto do poderoso Comitê de Reforma e Desenvolvimento Nacional, numa entrevista coletiva em Pequim.
OBJETIVO DIFÍCIL?
O governo da China disse que sua meta, que ainda permitirá o crescimento das emissões de gases-estufa enquanto a economia se expande, era a exigida para um país em desenvolvimento. Novas regras serão divulgadas, incluindo as medidas financeiras e tributárias, para atingi-la.
A meta não inclui sumidouros de carbono, disse Xie, e será calculada com base no consumo de energia e nos "processos de produção" - provavelmente a produção industrial.
Reduções adicionais poderiam, portanto, vir da expansão das florestas, que absorvem dióxido de carbono, e outros "sumidouros" de emissão.
O vice-ministro das Relações Exteriores da China, He Yafei, disse que o plano "mostra a atitude altamente responsável da China em direção ao futuro da humanidade".
Mas a meta também está de acordo com o que muitos analistas disseram ser a atual tendência na intensidade de carbono da China, e isso poderá levar a uma maior pressão de alguns negociadores em Copenhague.
Como país em desenvolvimento, a China não tem obrigação, sob os acordos atuais, de apresentar reduções em suas emissões. Pequim e outros países em desenvolvimento afirmam que esse princípio não deve mudar em qualquer novo acordo que sair de Copenhague.
O aparente descontentamento chinês com os compromissos anunciados pelos países desenvolvidos deve aumentar sua resistência a qualquer esforço internacional de supervisionar suas metas de carbono.

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Reuters