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Combatentes das Brigadas Izz el-Deen al-Qassam, o braço armado do Hamas, dentro de um túnel na Faixa de Gaza, na segunda-feira. 18/08/2014 REUTERS/Mohammed Salem

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Por Nidal al-Mughrabi

GAZA (Reuters) - Vestidos de preto e armados com rifles de assalto, combatentes do Hamas circulavam pelo túnel mal iluminado com facilidade, dizendo se sentir em casa na rede de passagens subterrâneas na Faixa de Gaza.

A rara visita proporcionada pelo Hamas a um repórter, um fotógrafo e um cinegrafista da Reuters pareceu uma tentativa de rebater a afirmação de Israel de que demoliu todos os túneis do grupo islâmico na recente campanha militar em seu território.

"Estamos falando com vocês hoje de dentro de um destes túneis, que Israel disse ter destruído. Nossos homens ainda estão operando neles, preparados para tudo", disse um combatente mascarado das Brigadas Izz el-Deen al-Qassam, braço armado do Hamas.

Vendados em um veículo do Hamas que deu uma série de voltas, foi impossível à reportagem da Reuters saber se a localidade secreta estava próxima da fronteira ou mais no interior da Faixa de Gaza, em túneis intocados pelos bombardeios israelenses, nem para onde a escavação levava.

Segundo o relato de Israel, suas forças terrestres só se concentraram em destruir túneis entre 2 e 4,5 quilômetros da fronteira, ignorando passagens de conexão mais distantes. Durante a ofensiva em Gaza, os militares israelenses levaram repórteres pelos túneis fronteiriços que descobriram.

Conversando em voz suave e rindo às vezes, os homens do Hamas guiaram a equipe da Reuters por corredores de menos de um metro de largura, acessíveis por uma escada fina de metal em um pequeno poço.

"É como estar em casa", disse o comandante deles. “Os combatentes cavaram estes túneis com suas próprias mãos, como construíram suas casas, então vivem aqui com conforto e sossego, assim como em suas casas."

PREPARATIVOS

Em partes do túnel, o teto é alto o suficiente para andar em pé – ora em pisos de concreto, ora em terreno enlameado.

Foi impossível medir a extensão da escavação, que se ramifica em várias direções. Uma vez em seu interior, o som do tráfego e dos drones (aviões não-tripulados) israelenses que sobrevoam rotineiramente o enclave de 1,8 milhão de habitantes desaparece.

Israel afirma que a rede de túneis é usada pelo Hamas para movimentar e guardar armas e manter seus combatentes longe da mira das aeronaves. É separada dos túneis de contrabando que existiam sob a fronteira com o Egito, que destruiu essas passagens antes da guerra recente.

No túnel, um membro do Hamas disse que o grupo irá levar adiante a reposição de seu arsenal de foguetes e armas e reforçar sua rede subterrânea.

“Na paz fazemos preparativos, na guerra usamos o que preparamos”, afirmou.

Israel lançou sua ofensiva em Gaza em 8 de julho, após uma onda de ataques de foguetes do Hamas na região de fronteira. Forças terrestres israelenses invadiram o território em 17 de julho com o objetivo declarado de destruir túneis de infiltração e recuou em 5 de agosto, depois de dizer que a missão havia sido cumprida.

Reuters