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Por Steve Holland e Jeff Mason

WASHINGTON (Reuters) - A ira por trás da demissão do diretor do FBI James Comey por Donald Trump na terça-feira estava crescendo há meses, mas um momento decisivo aconteceu quando Comey se recusou a apresentar para assessores seniores de Trump seu testemunho planejado para um painel do Senado, disseram autoridades da Casa Branca.

Trump, o secretário de Justiça, Jeff Sessions, e o vice-secretário de Justiça, Rod Rosenstein, queriam um aviso de Comey sobre o que iria falar em audiência em 3 de maio sobre como lidou com uma investigação sobre o uso de um servidor privado de email pela candidata presidencial democrata Hillary Clinton.

Quando Comey se recusou, Trump e seus assessores consideraram isto um ato de insubordinação e foi um dos catalisadores para a decisão de Trump nesta semana de demitir o diretor do FBI, disseram as autoridades.

“Isto deu a impressão de que ele não era mais capaz de realizar seus deveres”, disse uma autoridade. Apresentações prévias de testemunhos no Congresso para superiores são geralmente consideradas atitudes gentis.

Comey, que prestou depoimento por quatro horas perante o Comitê Judiciário do Senado, disse ter se sentido “ligeiramente enjoado” que sua decisão de tornar público a reabertura de uma investigação sobre o uso de Hillary de informações confidenciais pode ter afetado o resultado da eleição presidencial de 8 de novembro. Mas ele disse não se lamentar e que tomaria a mesma decisão.

A demissão inesperada de Comey por Trump surpreendeu Washington e leva Trump mais fundo em uma controvérsia sobre supostos laços de sua campanha com a Rússia, que afetou os primeiros dias de sua Presidência.

Democratas acusaram o presidente republicano de demitir Comey para tentar prejudicar a investigação do FBI sobre supostos esforços russos de interferir na eleição de 2016 e possíveis conspirações com membros da campanha de Trump, e exigiram uma investigação independente. Alguns dos colegas republicanos de Trump chamaram a demissão de Comey de perturbadora.

O governo Trump informou na terça-feira que Comey foi demitido por conta da maneira com a qual lidou com a investigação de emails de Hillary.

Antes de demitir Comey, Trump havia expressado publicamente frustração com o FBI e investigações do Congresso sobre a questão russa. Moscou negou interferência na eleição e o governo Trump nega acusações de conspiração com a Rússia.

Hillary Clinton disse que a decisão de Comey de anunciar o inquérito renovado dias antes da eleição foi um possível fator de sua derrota para Trump.

Assessores disseram que Trump agiu rápido após receber uma recomendação de Rosenstein na segunda-feira para demitir Comey. Rosenstein começou a rever a situação no FBI pouco após assumir cargo, há duas semanas.

A ação de Trump foi tão inesperada que sua equipe da Casa Branca, acostumada ao seu estilo de improvisos, foi pega de surpresa. Assessores atordoados se agitaram para elaborar um plano para explicar o que aconteceu.

O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, acabou dando a notícia a repórteres sobre a ação na noite de terça-feira, próximo a um trecho de arbustos, a passos de distância da Ala Oeste.

Comey, que estava na terça-feira em encontro em Los Angeles com funcionários do FBI e voltou posteriormente a Washington, não comentou publicamente sobre sua demissão.

(Reportagem adicional de Joel Shectman, Julia Edwards Ainsley e Susan Cornwell)

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