Por Hyonhee Shin e Linda Sieg

SEUL/TÓQUIO (Reuters) - No aniversário da rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial, o presidente da Coreia do Sul fez um apelo ao país vizinho nesta quinta-feira para contemplar seu passado dos tempos de guerra e se ofereceu para se engajar em conversas para reparar a relação abalada entre as duas nações, enquanto o Japão prometeu jamais repetir os horrores da guerra.

Os laços entre Seul e Tóquio estão em seu pior momento desde que os dois países normalizaram as relações em 1965, tensionadas pela questão do trabalho forçado sul-coreano durante a Segunda Guerra Mundial e uma disputa comercial acirrada.

Em um discurso de comemoração da independência coreana do controle japonês, o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, amenizou a retórica severa que usou recentemente contra o Japão.

"Esperamos que o Japão desempenhe um papel conjunto de destaque facilitando a paz e a prosperidade no leste da Ásia, enquanto contempla um passado que trouxe infortúnio aos seus países vizinhos", disse Moon em um discurso televisionado à nação.

"Antes tarde do que nunca: se o Japão escolher o caminho do diálogo e da cooperação, nos daremos as mãos com prazer."

Também nesta quinta-feira, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, enviou uma oferenda monetária ritual a Yasukuni, o polêmico santuário para mortos da guerra localizado em Tóquio. Ele não o visitou em pessoa, um gesto que teria provocado uma reação acalorada de Seul.

O Ministério das Relações Exteriores sul-coreano expressou "preocupação profunda" por Abe ter enviado a oferenda a um santuário que "embeleza a pilhagem colonial e a guerra agressiva do Japão".

Lembranças amargas da colonização japonesa da Coreia entre 1910 e 1945 vêm transtornando os laços bilaterais há tempos.

Falando em uma cerimônia em homenagem aos mortos da guerra, Abe disse que o país esculpiu "as lições da história bem fundo em nossos corações" e prometeu nunca repetir a devastação da guerra.

"Para criar uma nova era pacífica e cheia de esperança, não pouparemos esforços ao trabalhar com a comunidade internacional", disse Abe.

Os laços bilaterais se deterioraram desde que a Suprema Corte sul-coreana ordenou no ano passado que empresas japonesas indenizem algumas vítimas de trabalho forçado da guerra. Tóquio diz que a questão foi resolvida por um tratado de 1965 que normalizou os laços com a Coreia do Sul.

O mal-estar se aprofundou quando o Japão cancelou neste mês o status comercial da Coreia do Sul, que agilizava as operações comerciais, levando Seul a fazer o mesmo em relação a Tóquio.

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