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HAVANA (Reuters) - Cuba anunciou um acordo histórico na quinta-feira para vender carvão a uma empresa norte-americana, a primeira exportação legal para os Estados Unidos em cinco décadas, como parte de um frágil esforço de reaproximação entre dois ex-inimigos da Guerra Fria. 

A venda de 40 toneladas de carvão oriundos da planta marabú acontece em um momento no qual as novas relações entre EUA e Cuba estão sob ameaça, após dois anos de melhorias. O acordo também é simbólico, com valor de apenas 17 mil dólares. 

A primeira entrega está agendada para 18 de janeiro, dois dias antes da posse do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, o qual tem ameaçado desfazer a normalização das relações entre EUA e Cuba a menos que ele consiga um "acordo melhor". 

"Este é um primeiro contrato, mas esperamos continuar nosso relacionamento por muitos anos e não apenas com carvão vegetal, mas outros produtos que temos prontos para exportação, como mel e café", disse à imprensa cubana Isabel O’Reilly, diretora da exportadora estatal Cubaexport.

Embora um penoso embargo comercial sobre Cuba continue em vigência, o presidente Barack Obama, de saída do cargo, tem facilitado algumas ligações comerciais a partir de ordens executivas presidenciais. 

O governo de Obama aliviou restrições sobre importações de bens e serviços de empreendedores privados cubanos, no começo de 2015. Ainda não está claro, no entanto, como isso funcionaria na prática, dado que indivíduos não podem importar e exportar produtos ou serviços de forma independente sob a lei cubana. 

Sob o acordo de carvão, cooperativas privadas vão entregar o produto para uma empacotadora local, que irá vendê-lo para a exportadora estatal CubaExpo, a qual em troca vai tratar diretamente com a companhia norte-americana Coabana Trading.

A Coabana Trading pagará 420 dólares por tonelada, acima do preço normal de mercado de 340 a 380 dólares por carvão cubano, disse O'Reilly de acordo com o Cubadebate.

Cuba exporta até 80 mil toneladas de carvão por ano para seis países, e está buscando vender o produto para o Reino Unido e para a Alemanha, segundo o Cubadebate.

(Por Sarah Marsh)

Reuters