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Homem veste camisa com bandeira dos Estados Unidos no centro de Havana, Cuba. 12/01/2017 REUTERS/Alexandre Meneghini

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Por Lizbeth Diaz

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O cubano José Enrique Manreza, que vendeu sua casa e seus pertences para embarcar em uma épica jornada de avião, ônibus e a pé em busca do sonho americano, está agora preso na fronteira mexicana depois que Washington abruptamente encerrou uma leniente política de imigração. 

Na quinta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, derrubou uma medida que concedia residência automática a virtualmente todos os cubanos que chegassem aos Estados Unidos, mesmo se não tivessem visto, encerrando uma antiga exceção na política norte-americana. 

O fim da política “pé molhado, pé seco”, que permitia que qualquer cubano que chegasse a solo norte-americano tivesse permissão para ficar, mas retornava os que seguiam por mar, teve efeito imediato.

“Imagine como eu me sinto, após passar seis dias e seis noites atravessando por rios e selvas, na umidade”, disse Manreza em um abrigo de imigrantes na cidade de Tapachula, sul do México, onde soube da notícia junto a outros 30 cubanos. 

Manreza estimou ter gasto cerca de 10 mil dólares em sua viagem, incluindo um voo para a Guiana Francesa, guias pelas América do Sul e subornos para evitar que agressores abusassem de sua filha durante a jornada. 

“Eu tive que dar a eles muito, muito dinheiro, e agora isso acontece”, disse Manreza, que gerenciava um armazém de bebidas em Havana antes de deixar o país em dezembro. Ele está decidindo se volta ou não para Cuba, falido, ou se pede asilo ao México.  

Antecipando o fim dessa política, imigrações de cubanos dispararam desde a normalização das relações entre os países, em 2014. Ben Rhodes, vice-conselheiro de segurança nacional de Obama, disse que cerca de 40 mil cubanos chegaram aos EUA em 2015 e cerca de 54 mil em 2016.

Os números têm sido menores nos últimos meses, mas cubanos destinados ao Panamá disseram que centenas mais estavam a caminho.

“Há pessoas com filhos, mulheres grávidas, idosos”, disse Gabriel Alejandro Marín, parte de um grupo de 50 pessoas na Cidade do Panamá. “Todos vendemos tudo o que possuíamos por isso.”

Milhares de cubanos se reuniram na Costa Rica e no Panamá no ano passado, à medida que países da América Central lutam para lidar com o fluxo. El Salvador, na quinta-feira, deu boas-vindas à nova política, dizendo que todos os imigrantes devem ser tratados igualmente. 

Ivan Diaz, de 45 anos, administrador hospitalar, disse que a decisão o deixou chocado. “Tirou meu fôlego”, acrescentou. 

Diaz deixou Cuba há três meses com sua esposa. Ele disse que o processo para ir aos EUA lhe havia custado 25 mil dólares, incluindo valores enviados por familiares em Miami para apoiá-los. 

“Sobraram 10 dólares no meu bolso”, disse ele. “Vamos perseverar. Não temos nada a perder se formos até a fronteira com Laredo. Podemos ser capazes de fazer algo. De outra forma, deixem-os deportar-nos de volta a Cuba.”

(Por Elida Moreno na Cidade do Panamá, Gustavo Palencia em Honduras e Nelson Renteria em El Salvador)

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