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Por Stephen Brown
ROMA (Reuters) - O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, disse na quarta-feira que a determinação da Corte Europeia de Direitos Humanos de que os crucifixos sejam retirados das salas de aula na Itália foi uma tentativa sem sentido de negar as raízes cristãs da Europa.
O país, de maioria católica romana, reagiu com indignação à decisão, anunciada na terça-feira pela corte com sede em Estrasburgo, na França, que considerou que os crucifixos espalhados nas paredes das escolas italianas poderiam perturbar crianças que não sejam cristãs.
O primeiro-ministro conservador disse a um programa de televisão que a sentença era uma tentativa de "negar as raízes cristãs" da Europa. "Isso não é aceitável para nós, italianos", afirmou.
Berlusconi argumentou que a Itália tem tantas igrejas que as pessoas "apenas precisam andar 200 metros para a frente, para trás, para a direita ou para a esquerda para encontrar um símbolo da cristandade".
"Essa é uma daquelas decisões que com frequência nos faz duvidar do bom senso da Europa", disse o primeiro-ministro, confirmando que a Itália vai apelar da sentença tão logo seu gabinete a avalie, em sua reunião semanal, na sexta-feira.
O Vaticano expressou "choque e tristeza" com a determinação da corte, que foi condenada por várias correntes políticas, em um raro momento de união entre políticos italianos. Somente alguns partidos de extrema esquerda e grupos ateístas apoiaram a decisão da corte.
Prefeitos de todo o país disseram que não vão cumprir a sentença. Também houve reações iradas de redutos católicos no exterior, como a Polônia. Milhares de pessoas protestaram em redes de relacionamento social na Internet.
"No terceiro milênio a Europa só está nos deixando abóboras do Halloween (o dia das bruxas), ao mesmo tempo em que nos tira nossos símbolos adorados", disse o número 2 do Vaticano, cardeal Tarcicio Bertone.
A Itália está envolvida em um acalorado debate sobre como lidar com uma crescente população de imigrantes, na maioria muçulmana, e a sentença da corte poderia tornar-se um novo grito de guerra para a política do governo de repressão à entrada de mais estrangeiros.
A parlamentar europeia Mara Bizzotto, da Liga do Norte, partido que integra a coalizão anti-imigrante do governo de Berlusconi, perguntou por que a corte europeia tomou medidas contra o crucifixo, mas não baniu símbolos muçulmanos como "véus, burcas e nijabs".
A questão foi levada à corte por uma italiana, Soile Lautsi, que se queixou porque seus filhos tinham de assistir às aulas em uma escola pública com crucifixos em todas as salas, o que a impediria de exercer seu direito de lhes dar uma educação secular.
Duas leis italianas da década de 1920, quando os fascistas estavam no poder, estabelecem que as escolas têm de colocar os crucifixos nas paredes.

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Reuters