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Disparada da Covid-19 em Portugal sobrecarrega funerárias

Funcionários de funerária levam caixão vazio para retirar corpo de vítima da Covid em hospital de Cascais 09/02/2021 REUTERS/Pedro Nunes reuters_tickers
Este conteúdo foi publicado em 11. fevereiro 2021 - 15:31

Por Catarina Demony

LISBOA (Reuters) - Diante do caixão fechado de mais uma vítima da Covid-19 em Portugal, o funcionário de funerária Carlos Carneiro chorou quando a família da vítima colocou para tocar um disco de fado tradicional como despedida.

Carneiro, de 37 anos, ajuda pessoas a lidar com suas perdas há duas décadas no setor funerário, mas nunca se sentiu tão afetado pelo sofrimento e pelo medo.

Portugal se saiu melhor do que outros países na Europa na primeira onda da pandemia, entre março e abril, mas o novo ano trouxe um disparada devastadora de infecções e mortes, sobrecarregando o serviço de saúde e as casas funerárias.

Mais de 14.700 já morreram de Covid-19 em Portugal, e as infecções cumulativas desde o início da pandemia estão em quase 775 mil.

"Nunca me senti tão comovido, com tantos enterros consecutivos", disse Carneiro à Reuters com voz trêmula diante do crematório em que o corpo de Matilde Firmino, de 77 anos, era reduzido a cinzas.

"É duro para nós. Sentimos quando chegamos em casa".

Devido às regras adotadas para diminuir o risco de contágio do coronavírus, funerárias como a Funalcoitão, próxima de Lisboa, onde Carneiro trabalha, tiveram que se adaptar rapidamente.

Os funcionários têm que usar equipamento de proteção da cabeça aos pés, e os corpos são colocados dentro de sacos plásticos brancos e depois nos caixões, sem embalsamamento ou maquiagem.

Raramente as famílias podem ver os falecidos antes de eles serem enterrados ou cremados, e a filha de Firmino chegou a recear que não fosse mesmo sua mãe no caixão.

(Por Catarina Demony, Miguel Pereira e Pedro Nunes)

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