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Por Patrícia Velez
BUENOS AIRES (Reuters) - Um pedido do governo argentino para que haja uma investigação contra uma empresa de comunicações está agravando a disputa entre a administração de Cristina Kirchner e um dos maiores grupos de mídia da América Latina.
O ministro da Economia, Amado Boudou, pediu nesta semana a parlamentares que investiguem possíveis irregularidades financeiras na empresa de distribuição de papel-jornal Papel Prensa, alimentando as acusações da oposição de que o governo pretende nacionalizar a companhia.
O Grupo Clarín, dono do jornal com o mesmo nome e do canal a cabo mais visto no país, além de rádios e de um provedor de Internet, também detém uma grande participação acionária na Papel Prensa. O governo e o grupo La Nación têm ações da empresa.
Por isso, a investigação foi vista como parte da disputa que se arrasta há mais de um ano, desde que membros do governo acusaram o jornal Clarín de realizar críticas excessivas à Cristina, cuja taxa de aprovação popular é inferior a 20 por cento.
Em setembro, a presidente argentina apresentou um projeto de reforma da lei de mídia que, segundo ela, traria mais competição ao setor. Críticos disseram que a intenção real era obrigar o Grupo Clarín a vender alguns de seus veículos.
Boudou defendeu uma investigação para "analisar se o sócio majoritário usa a companhia para o seu próprio benefício", e se o Clarín está obtendo papel-jornal abaixo do preço de mercado por intermédio da Papel Prensa.
O governo argentino nega que haja intenção de nacionalizar a Papel Prensa, embora críticos digam que isso seria do interesse de Cristina que, a exemplo do seu marido e antecessor, Nestor Kirchner, promove uma forte estatização da economia.
A nacionalização da empresa permitiria que o governo controlasse o suprimento de papel para os jornais, o que lhe daria mais influência sobre as empresas de comunicação, disse Pablo Sirven, autor de um livro que examina a relação da imprensa com o ex-presidente Juan Domingo Perón.
"Eles querem controlar as quotas de papel," disse ele.
Kirchner costuma acusar o Clarin de "monopólio" e o jornal reage intensificando sua cobertura de acusações de corrupção contra o governo.
Na quarta-feira, Kirchner voltou a acusar a empresa de publicar propositalmente notícias negativas sobre o governo de sua esposa. "Estamos sendo extorquidos e ameaçados da pior maneira. Não há nada de verdade no que o monopólio diz que está acontecendo na Argentina", disse ele.
O Grupo Clarín não se manifestou.

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Reuters