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Elite do Zimbábue se alarma ao ver Covid-19 encher hospitais e matar ricos e pobres

Pessoas com trajes de proteção carregam caixão em enterro de dois ministros e um general aposentado que morreram de Covid-19 no Zimbábue 29/01/2021 REUTERS/Philimon Bulawayo reuters_tickers
Este conteúdo foi publicado em 29. janeiro 2021 - 15:09

Por MacDonald Dzirutwe

HARARE (Reuters) - Quando os ricos e poderosos do Zimbábue adoecem, muitas vezes vão ao exterior em busca do melhor tratamento que o dinheiro pode pagar --o presidente deposto Robert Mugabe morreu em um hospital de Cingapura em 2019.

Como o coronavírus está limitando as viagens, este luxo não está disponível, expondo a elite a uma verdade que a maioria da população conhece de sobra: o sistema de saúde do Zimbábue está desmoronando há anos, e agora tem dificuldade para lidar com uma disparada de casos de Covid-19.

A revolta de médicos sobrecarregados se soma a uma insatisfação pública mais ampla com o presidente, Emmerson Mnangagwa, que prometeu um renascimento econômico ao assumir o lugar de Mugabe na esteira de um golpe em 2017.

"É uma tomada de consciência brusca para o governo e os políticos", disse Norman Matara, secretário-geral da Associação de Médicos do Zimbábue pelos Direitos Humanos.

"Se você tem décadas de destruição contínua de seus sistema de saúde pública, e agora tem uma pandemia, não consegue reverter esta decadência... em um ano ou seis meses."

A economia zimbabuana estava em crise mesmo antes da chegada do coronavírus devido aos anos de hiperinflação, escassez aguda de moeda estrangeira e blecautes.

Agora, o país precisa lidar com um aumento da pandemia. Mais da metade de seus 32.646 casos confirmados de Covid-19 e dois terços de seus 1.160 mortos foram registrados só em janeiro, de acordo com uma contagem da Reuters.

(Por MacDonald Dzirutwe)

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