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Por Radu-Sorin Marinas

BUCARESTE (Reuters) - O governo social-democrata da Romênia cumpriu neste domingo uma promessa feita pelo primeiro-ministro Sorin Grindeanu de revogar um decreto que descriminalizava alguns crimes de corrupção, enquanto os protestos nacionais contra o alto nível de corrupção entraram no sexto dia.

O governo também disse que concordou em suspender o sigilo das transcrições dos debates da reunião de gabinete de quinta-feira, quando o decreto foi aprovado.

As notícias de sua aprovação, que permitiria que dezenas de políticos fossem protegidos de acusações de corrupção, levaram aos maiores protestos públicos na Romênia desde 1989, quando o regime comunista de Nicolae Ceausescu entrou em colapso.

O primeiro-ministro Grindeanu disse no sábado que iria revogar a medida, conforme solicitado pelo presidente Klaus Iohannis, pois não queria “dividir a Romênia”.

No domingo, cerca de 5 mil manifestantes contra o governo se reuniram em frente aos escritórios do governo na Praça Victoriei, no centro de Bucareste, enquanto outro grupo, com certa de 1 mil manifestantes, a maioria mais velhos, chamava Iohannis de traidor fora do palácio presidencial.

O líder social-democrata Liviu Dragnea, que foi proibido de exercer cargos políticos devido a uma condenação por fraude eleitoral, negou em sua página no Facebook que seu partido tenha organizado o protesto contra Iohannis.

O decreto também beneficiaria Dragnea --que escolheu Grindeanu para liderar o governo em seu lugar-– ao liberá-lo da acusação de abuso de poder pela qual responde. Ele nega o crime.

O governo disse que sua introdução foi uma aposta para aliviar a pressão no sistema prisional. Ele teria entrado em vigor no fim da próxima semana.

Visto por críticos como o maior recuo nas reformas desde que a Romênia se juntou à União Europeia em 2007, o decreto teria concedido isenção de acusação a crimes de abuso de poder envolvendo quantias abaixo de 48 mil dólares – protegendo centenas de autoridades da justiça.

Nove potências ocidentais, incluindo a Alemanha e os Estados Unidos, disseram que estavam profundamente preocupados que o decreto pudesse prejudicar a participação da Romênia na UE e na Otan. 

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Reuters