Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Por Darren Ennis
BRUXELAS (Reuters) - A nova chefe de política externa da União Europeia disse nesta sexta-feira que possui as credenciais certas para negociar com as maiores potências do mundo e rejeitou as críticas segundo as quais é desconhecida na política global.
A britânica Catherine Ashton, nome pouco conhecido até mesmo em seu próprio país, foi escolhida pelos líderes da UE na quinta-feira para tornar-se a alta representante do bloco para assuntos externos.
Em entrevista à Reuters, Ashton rejeitou as críticas a sua falta de experiência relevante para um cargo no qual ela e o novo presidente da UE, Herman Van Rompuy, vão tentar elevar o perfil do bloco nos assuntos mundiais e equiparar-se à influência de potências em ascensão, como a China.
Sua experiência como chefe comercial da UE vai capacitá-la a tratar em pé de igualdade com os maiores parceiros da Europa, como Estados Unidos, Rússia e China, disse ela.
"Tendo sido comissária comercial, possuo as credenciais certas e venho tendo envolvimento grande em cúpulas chaves. Portanto, estou muito familiarizada com todas as questões mais importantes, além do portfólio que exerci," disse Ashton.
"Em segundo lugar, pelo fato de os relacionamentos econômicos serem tão críticos e vitais nesses relacionamentos entre grandes países, eles formaram as bases dessas relações."
"Por isso sinto que tenho uma boa base, um bom entendimento do tipo de relacionamento que precisamos com esses grandes países e outros no futuro."
Ashton, 53 anos, rejeitou críticas da mídia britânica depois de ter sido escolhida com Van Rompuy, o primeiro-ministro belga, em um acordo de conciliação que pôs fim à perspectiva de o ex-premiê britânico Tony Blair tornar-se presidente da UE.
"Em um processo como este, não importa o lugar que você ocupa na ordem de destaque. O que realmente importa é que tive o apoio unânime do conselho (de líderes da UE), e aqui estou."
ELOGIADA EM SUA ATUAÇÃO COMERCIAL
Desde que se tornou comissária comercial, há pouco mais de um ano, Ashton vem sendo elogiada no papel de negociadora comercial.
Ela é amplamente vista como responsável por ter levado os EUA e a Índia de volta à mesa para reiniciar a rodada de Doha de negociações comerciais mundiais, tirando-a do impasse em que estava paralisada.
Além disso, ela mediou um acordo comercial de 100 bilhões de dólares com a Coreia do Sul e resolveu uma disputa de longa data sobre carne bovina, além de estar prestes a resolver uma disputa em torno de bananas.
Ashton, que recebeu o título de baronesa do governista Partido Trabalhista, de centro-esquerda, se vê como construtora de consensos. Ela disse que sua primeira prioridade será consolidar seu papel entre as maiores economias do mundo e as economias emergentes.
"O que será importante serão os grandes relacionamentos chaves que temos em todo o mundo e que precisamos fomentar e desenvolver," disse ela.
Ashton, que foi membro da câmara alta do Parlamento britânico, a Câmara dos Lordes, cujos membros não são eleitos, também concluiu acordos comerciais com a África.
Ela disse que continuará a trabalhar em prol de um acordo comercial mundial, "mas não vou atrapalhar o comissário comercial nas negociações de Doha."
"Trabalhamos como equipe na Comissão, e talvez o conhecimento e a experiência que tenho possam ser úteis ao novo comissário comercial."
Ashton, que precisará da aprovação do Parlamento Europeu para assumir seu novo cargo e que vai comandar um novo corpo diplomático da UE, viaja à China na próxima semana como chefe comercial.
Ela participará no mês que vem da assembleia geral da OMC, onde diz que espera dar "um empurrãozinho final" à rodada de Doha de negociações, que os líderes dos países ricos e em desenvolvimento prometeram concluir em 2010.

subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.

Reuters