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Apoiadores pró-união participam de protesto no centro de Barcelona, na Espanha 29/10/2017 REUTERS/Jon Nazca

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Por Marco Trujillo e Julien Toyer

BARCELONA/MADRI (Reuters) - O controle direto da Espanha sobre a Catalunha entrou em vigor nesta segunda-feira, mas servidores públicos ignoraram um clamor de desobediência civil e compareceram ao trabalho e partidos separatistas concordaram com a realização de novas eleições, sinalizando a aceitação de que o governo regional foi dissolvido.

        O presidente catalão deposto, Carles Puigdemont, viajou à Bélgica com vários outros membros de seu gabinete demitido, segundo um integrante de alto escalão do governista Partido Popular. O procurador-geral espanhol, José Manuel Maza, pediu que os líderes catalães sejam acusados de rebelião, insubordinação e malversação de recursos públicos, além de fraude e mau uso de fundos.

A Catalunha, uma região próspera com língua e cultura próprias, desencadeou a pior crise do país em décadas ao realizar um referendo de independência no dia 1º de outubro que os tribunais espanhóis consideraram ilegal.

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, assumiu o controle direto da região na sexta-feira, demitiu seu governo secessionista e convocou uma eleição antecipada para 21 de dezembro.

A calma vista nas ruas de Barcelona nesta segunda-feira foi a resposta a um final de semana de incerteza, durante o qual não estava claro como a região reagiria ao controle central.

Alguns dos líderes catalães mais proeminentes, inclusive Puigdemont e seu vice-presidente, Oriol Junqueras, disseram que não aceitarão suas demissões –mas seus respectivos partidos, PdeCat e Esquerra Republicana de Catalunya, disseram nesta segunda-feira que participarão da eleição, uma aceitação tácita de que o Parlamento foi desfeito.

Segundo a rede de televisão La Sexta, Puigdemont pode pedir asilo na Bélgica junto com cinco outros membros de seu governo que foram demitidos.

A legislatura regional cancelou uma reunião de terça-feira, outro sinal de que os parlamentares aceitaram sua demissão.

Um pedido de desobediência civil generalizada feito pelos principais grupos civis por trás da campanha secessionista não atraiu muitos seguidores. A maioria dos servidores públicos, como professores, bombeiros e policiais, retomou o trabalho normalmente nesta segunda-feira, e não havia sinais de absenteísmo generalizado.

Uma central sindical, a Intersindical-CSC, que havia convocado uma greve geral na Catalunha, informou nesta segunda-feira que a cancelou.

    Os líderes catalães demitidos continuavam com uma postura ambígua e não chegaram a desafiar diretamente a autoridade da Espanha. Não houve sinais de qualquer manifestação espontânea acontecendo.

    Puigdemont publicou uma foto tirada na sede do governo regional no Instagram, mas não foi visto entrando no edifício, o que sugere que a foto pode ter sido tirada por outra pessoa.

    O diretor regional dos transportes, Josep Rull, postou no Twitter uma foto de si mesmo trabalhando no escritório, mas mais tarde foi visto deixando o prédio.

Duas pesquisas de opinião mostraram que o apoio à independência pode ter começado a declinar. Uma pesquisa da empresa Sigma Dos publicada no jornal El Mundo revelou que 33,5 por cento dos catalães são a favor da separação, e outra da Metroscopia publicada no jornal El País estimou este número em 29 por cento –em julho eram 41,1 por cento, de acordo com uma pesquisa oficial realizada pelo governo catalão.

     (Reportagem adicional de Sonya Dowsett)

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Reuters