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Manifestante segura bandeira da Catalunha durante protesto em Barcelona 19/10/2017 REUTERS/Ivan Alvarado

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Por Julien Toyer e Sonya Dowsett

MADRI/BARCELONA (Reuters) - O governo central da Espanha anunciou nesta quinta-feira que vai suspender a autonomia da Catalunha e impor o regime direto sobre a região após o líder catalão ameaçar seguir adiante com uma declaração formal de independência se Madri se recusar a dialogar.

Em um ato sem precedentes desde que a Espanha retornou à democracia no final da década de 1970, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, anunciou que reunirá seu conselho de ministros em sessão extraordinária no sábado para iniciar os trâmites que levarão a uma intervenção prevista na Constituição espanhola sobre a autonomia da Catalunha.

"O governo da Espanha continuará com os trâmites previstos no artigo 155 da Constituição para restaurar a legalidade no autogoverno da Catalunha", disse o governo em comunicado.

O anúncio foi feito minutos depois de o líder da Catalunha, Carles Puigdemont, ameaçar submeter uma declaração formal de independência ao Parlamento regional.

"Se o governo central persistir em impedir o diálogo e continuar com a repressão, o Parlamento da Catalunha poderá proceder, se o considerar oportuno, a votar a declaração formal de independência que não votou em 10 de outubro", alertou Puigdemont.

Em uma carta enviada a Rajoy 10 minutos antes do final de um prazo para que esclarecesse se havia proclamado ou não a independência, de forma que se restaurasse "a ordem constitucional alterada", Puigdemont admitiu implicitamente que a separação não foi declarada formalmente.

"O governo da Espanha constatou às 10h desta manhã... a negativa do líder do governo da Catalunha para atender o requerimento...", informou o comunicado de Madri.

Por sua parte, Puigdemont acusou Rajoy em sua carta de se negar a dialogar e não reverter "a repressão", criticando a detenção recente dos líderes de duas organizações sociais independentistas.

"Em minha carta de segunda-feira lhe propus realizar uma reunião que ainda não foi concedida... a repressão aumentou", escreveu Puigdemont, recordando que "a decisão de aplicar o artigo 155 cabe ao governo central".

"Apesar de todos estes esforços e nossa vontade de diálogo, que a única resposta seja a suspensão da autonomia indica que não se está consciente do problema e que não se quer conversar", disse, adiantando-se à resposta do governo.

O governo central, por sua vez, garantiu que as medidas que aprovará no sábado e que deverão ser referendadas no Senado posteriormente serão negociadas com diversas formações políticas e que buscam "proteger o interesse geral dos espanhóis e restaurar a ordem constitucional".

A oposição socialista disse que apoiava o governo, mas sugeriu que as medidas devem ter alcance e período de tempo limitados.

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