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Por William Maclean

DUBAI (Reuters) - Estados árabes do Golfo Pérsico estão aplaudindo discretamente a chegada à Casa Branca de um líder linha-dura e oposto ao Irã, seu grande rival, ainda que suspeitem que o pavio curto e os tuítes incendiários de Donald Trump possam aumentar as tensões no conturbado Oriente Médio em algumas ocasiões.

Embora muitos países de todo o mundo tenham ouvido o discurso de posse de tom protecionista do líder norte-americano com apreensão, autoridades árabes do Golfo Pérsico parecem otimistas. Elas veem em Trump um presidente forte que irá intensificar o papel de Washington como seu principal parceiro estratégico em uma região central para a segurança e os interesses energéticos dos Estados Unidos.

Aos olhos dos árabes do Golfo, isso diz respeito acima de tudo a conter o que percebem como um aumento do apoio iraniano a aliados paramilitares na Síria, no Iraque, no Iêmen e no Líbano, além de a outros muçulmanos xiitas no Barein e na Província Oriental da Arábia Saudita, região produtora de petróleo.

Isso também significa passar por cima, por enquanto, da retórica a respeito da unificação do "mundo civilizado contra o terrorismo islâmico radical" em um pronunciamento que críticos disseram ter ecoado a "cruzada" de George W. Bush contra o terrorismo -- uma frase que, para os muçulmanos, evoca campanhas bárbaras de cristãos medievais contra o islã.

A Arábia Saudita, em particular, parece aliviada com o fim do governo de Barack Obama, que acreditava considerar a aliança dos sauditas com Washington menos importante do que negociar um acordo para neutralizar o programa nuclear do Irã.

Esse relacionamento é um pilar do equilíbrio de segurança no Oriente Médio, mas vem sofrendo desde que Riad demonstrou incômodo com o que viu como uma retirada de Obama da região e uma suposta inclinação em direção a Teerã desde os levantes da chamada Primavera Árabe de 2011.

Também tem havido tensões por conta da Síria, onde Obama desconsiderou clamores do Golfo Pérsico para fornecer mais ajuda aos rebeldes que combatem o presidente sírio, Bashar al-Assad, que vem sobrevivendo graças ao apoio iraniano e russo.

"A percepção é importante: Trump não parece o tipo de sujeito que irá se curvar ao Irã nem a ninguém mais", disse Abdulrahman al-Rashed, veterano analista saudita.

Alguns comentaristas árabes veem uma semelhança política entre Trump e o ex-presidente norte-americano Ronald Reagan, que também fez campanha postulando o ressurgimento de uma América grande.

Embora poucos no Golfo esperem que Trump repudie o pacto nuclear com o Irã, apesar de suas ameaças de fazê-lo, a maioria quer que o governo iraniano seja pressionado a reverter o que os árabes do Golfo veem como uma subversão de uma teocracia revolucionária em outras nações árabes.

(Reportagem adicional de Tom Finn em Doha)

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