Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Membros da minoria yazidi desalojados, fungindo da violência das forças leais ao Estado Islâmico na cidade de Sinjar, caminham em direção à fronteira síria, nos arredores da montanha Sinjar, perto da cidade fronteiriça de Elierbeh of Al-Hasakah Governorate, na segunda-feira. 11/08/2014 REUTERS/Rodi Said

(reuters_tickers)

Por Michael Georgy e Ahmed Rasheed

BAGDÁ (Reuters) - Mesmo sem estar empossado, o novo primeiro-ministro iraquiano recebeu o apoio dos Estados Unidos e do Irã, normalmente antagonistas, ao pedir aos líderes políticos que ponham fim às desavenças que permitiram aos jihadistas tomar um terço do país.

Haider al-Abadi ainda enfrenta oposição no país, onde seu colega de partido e também xiita Nuri al-Maliki se recusou a entregar o cargo de premiê após oito anos que alienaram a outrora dominante minoria sunita e afastaram Washington e Teerã.

Mas milícias xiitas e comandantes do Exército leais a Maliki insinuaram apoiar a mudança, assim como muitas pessoas nas ruas de Bagdá, temerosas de um novo mergulho em um banho de sangue sectário e étnico.

Os vizinhos sunitas Turquia e Arábia Saudita também acolheram a indicação de Abadi.

Um comunicado do gabinete de Maliki informou que ele se reuniu com autoridades de alto escalão da segurança e com comandantes da polícia e do exército para exortá-los a “não interferir na crise política”.

Pelo menos 17 pessoas foram mortas por dois carros-bomba em áreas xiitas de Bagdá, um tipo de ataque cada vez mais rotineiro nos últimos meses.

Enquanto potências ocidentais e agências internacionais de ajuda cogitam aumentar o auxílio a dezenas de milhares de pessoas expulsas de casa e ameaçadas pelos militantes sunitas do Estado Islâmico perto da fronteira síria, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, disse que os EUA irão estudar os pedidos de assistência militar e de outros tipos assim que Abadi formar um governo de unidade no Iraque.

Destacando a convergência de interesses no Iraque que marca a relação normalmente hostil entre EUA e Irã, autoridades iranianas de alto escalão parabenizaram Abadi por sua indicação três meses após uma eleição parlamentar que deu maioria ao bloco de Maliki. Assim como as potências ocidentais, o Irã xiita está alarmado com o avanço do Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

"O Irã apoia o processo legal que tem ocorrido com relação à escolha do novo primeiro-ministro do Iraque", teria dito o representante do líder supremo aiatolá Ali Khamenei ao Conselho Supremo de Segurança Nacional.

Abadi, que passou anos exilado na Grã-Bretanha, é visto como muito menos polarizador e sectário que Maliki, e parece ter a bênção dos poderosos clérigos xiitas iraquianos, uma força influente desde a derrubada do ditador sunita Saddam Hussein em 2003 pelas mãos dos norte-americanos.

A televisão estatal iraquiana disse que Abadi “conclamou todas as forças políticas que acreditam na Constituição e na democracia que juntem esforços e cerrem fileiras para reagir aos grandes desafios do Iraque”.

Um político próximo de Abadi afirmou à Reuters que o novo premiê começou a entrar em contato com líderes de grandes grupos para sondá-los a respeito da formação de um novo gabinete. Na segunda-feira, o presidente iraquiano, Fuad Masum, disse esperar que ele o consiga ao longo do próximo mês.

(Reportagem adicional de Raheem Salman, em Bagdá; e de Lesley Wroughton, em Sydney)

Reuters