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Manifestantes protestam durante greve contra Maduro em Caracas 26/7/2017 REUTERS/Andres Martinez Casares

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Por Matt Spetalnick e Alexandra Ulmer

WASHINGTON/CARACAS (Reuters) - O governo Trump impôs sanções contra 13 autoridades seniores venezuelanas, enquanto a oposição do país iniciou uma greve de dois dias nesta quarta-feira, aumentando pressão sobre o impopular presidente Nicolás Maduro para afastar planos de uma Assembleia Constituinte controversa.

Com confrontos ocorrendo em algumas áreas, um homem de 30 anos foi morto durante uma manifestação no Estado montanhoso de Merida, disseram autoridades.

Os Estados Unidos, inimigos ideológicos de longa data da Venezuela, optaram por sancionar chefes do Exército e da polícia, o diretor nacional de eleições e um vice-presidente da companhia estatal de petróleo por suposta corrupção e abusos de direitos.

Mas o presidente dos EUA, Donald Trump, poupou a Venezuela por ora de sanções mais amplas contra sua vital indústria do petróleo, embora tais ações estejam sob consideração.

Autoridades norte-americanas disseram que as sanções individuais tinham objetivo de mostrar a Maduro que Washington irá seguir em frente com uma ameaça de “fortes e rápidas ações econômicas” caso o presidente venezuelano prossiga com uma votação no domingo, que críticos dizem que irá consolidar uma ditadura no país membro da Opep.

O líder de esquerda também passa por tensão em casa, onde manifestantes se juntaram pela Venezuela desde o amanhecer para bloquear estradas com barricadas, enquanto muitos comércios continuavam fechados.

“É a única maneira de mostrar que não estamos com Maduro. Eles são poucos, mas eles possuem as armas e o dinheiro”, disse a decoradora Cletsi Xavier, de 45 anos, ajudando a bloquear uma via no rico leste de Caracas.

No geral, no entanto, menos pessoas aparentavam estar participando da greve em relação aos milhões que aderiram a uma greve de 24 horas na semana passada, quando cinco pessoas morreram em confrontos.

Empresas estatais, incluindo a Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA), ficaram abertas e alguns bairros da classe operária ainda estavam repletos de atividades.

Mas jovens encapuzados estavam em confronto com soldados, que usaram gás lacrimogêneo, em diversos locais, incluindo em Caracas, onde parlamentares da oposição relataram diversos feridos.

No Estado de Merida, Rafael Vergara foi morto a tiros quando soldados da Guarda Nacional e civis armados entraram em confronto com manifestantes, disse o parlamentar local da oposição Lawrence Castro à Reuters.

De acordo com o grupo de direitos humanos Penal Forum, 50 pessoas foram presas.

MADURO DESAFIADOR

Maduro prometeu seguir em frente com a votação de domingo para uma Assembleia Constituinte, que terá o poder de reescrever a Constituição e substituir o legislativo, atualmente liderado pela oposição.

O sucessor do falecido líder Hugo Chávez diz que o novo super-órgão é a única maneira de levar paz de volta à Venezuela após quatro meses de violentos protestos anti-governo que resultaram em mais de 100 mortes.

A oposição disse que a votação de domingo, que está boicotando, é um esquema montado para dar poderes ditatoriais a Maduro.

Uma das autoridades norte-americanas alertou que sanções estão somente em uma etapa inicial e que o governo está preparando medidas mais firmes. A opção mais séria é a de sanções financeiras que iriam suspender pagamentos em dólar pelo petróleo do país ou um banimento total de importações de petróleo para os Estados Unidos, um importante cliente.

Reuters