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NOVA YORK (Reuters) - O governo dos Estados Unidos vai pagar 1,26 milhão de dólares a cinco muçulmanos detidos por meses sem acusação formal depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. Eles entraram com uma ação na Justiça por prisão ilegal e maus-tratos, disseram advogados na terça-feira.
Os homens alegam ter sofrido tratamento desumano e degradante em um centro de detenção do Brooklyn, em Nova York, incluindo confinamento em solitária, espancamentos, ofensas verbais contínuas e impedimento de comunicação com parentes e advogados.
Rachel Meeropol, advogada do Centro para os Direitos Constitucionais que levou o caso à corte federal do Brooklyn, disse que esse foi o maior acordo até o momento relacionado a alegações de maus-tratos depois do 11 de Setembro.
O Departamento de Justiça aceitou um acordo sobre a ação, iniciada em 2002, depois que centenas de imigrantes foram mantidos em prisões por meses depois dos atentados.
Um porta-voz do Departamento de Justiça não foi localizado para comentar o acordo, no qual os EUA não admitem responsabilidade ou erro. Os cinco homens foram soltos depois de terem sido removidas quaisquer suspeitas de conexão com terrorismo, mas foram deportados.
Um deles, Yasser Ebrahim, receberá a maior quantia, de 356.250 dólares, sem descontar as taxas da Justiça.
"Depois de sete longos anos, estou aliviado por estar apto a reconstruir minha vida", disse ele em um comunicado divulgado pelo Centro.
"Retiraram nossos direitos e nos maltrataram simplesmente por causa de nossa religião e da cor de nossa pele", disse. "Sei que eu e outros ainda sentimos o efeito do que aconteceu e que comunidades nos EUA continuam a sentir os efeitos. Sinceramente, espero que isso nunca mais aconteça".
Ebrahim, de 37 anos, era webdesigner no Brooklyn. Seu colega Hany, trabalhador no setor de alimentos, que também foi preso, vivia em Nova York havia sete anos na época dos atentados de 11 de Setembro. Eles agora vivem no Egito.
Os dois foram detidos em 30 de setembro de 2001 e mantidos na prisão por oito meses, mesmo depois de um memorando do FBI ter informado que eles não tinham conexão com terrorismo, diz a ação judicial.
Um relatório do escritório do inspetor geral do Departamento de Justiça mostrou que alguns funcionários da prisão jogaram os detidos contra as paredes, torceram seus braços e mãos de modo doloroso, pisaram em suas pernas e os mantiveram confinados por longos períodos.

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Reuters