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Por Luis Andres Henao
BUENOS AIRES (Reuters) - O último presidente da ditadura militar argentina, que durou de 1976 a 1983, foi a julgamento na segunda-feira por acusações de sequestro, tortura e assassinato de 56 pessoas em um campo de concentração. O julgamento acontece em um tribunal provisório montado em um estádio.
Reynaldo Bignone, de 81 anos, um general aposentado que governou a Argentina de 1982 a 1983, e outros sete oficiais e policiais enfrentam um painel de três juízes que os julgarão por terem ordenado espancamentos, simulações de afogamento e choques elétricos em detidos na base militar de Campo de Mayo.
Centenas de pessoas, inclusive vários parentes das vítimas, apareceram para o início do julgamento, feito em um campo de futebol fechado na periferia de Buenos Aires porque o tribunal local não era grande o bastante para abrigar o número de pessoas que queria assistir aos procedimentos.
Segundo um relatório do governo mais de 11 mil pessoas morreram ou desapareceram durante a "Guerra Suja" da Argentina, a repressão a grupos de esquerda e outros opositores ao regime militar. Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que o número está mais perto de 30 mil.
"Esse é um julgamento histórico na busca pela verdade para todos os desaparecidos", disse à Reuters Alcira Rios, advogada de parentes de uma das vítimas. "Temos que dizer não à impunidade. Devemos isso à nossa sociedade argentina."
Bignone se balançava para frente e para trás em sua cadeira enquanto as acusações contra ele eram lidas no tribunal. Ele e os outros réus podem pegar prisão perpétua se condenados em um julgamento que pode durar até cinco meses.
Mais de 130 pessoas devem ser chamadas para testemunhar contra os réus a partir da próxima semana.
Também estão sendo julgados os generais aposentados Santiago Omar Riveros, Eugenio Guanabens Perello e Fernando Exequiel Verplaetsen, e os coronéis aposentados Jorge Osvaldo Garcia, Carlos Alberto Tepedino e Eduardo Alfredo Esposito. O ex-policial German Montenegro também será julgado.
Durante a abertura do julgamento, Verplaetsen foi retirado da sala devido à doença.
Os acusados "parecem idosos, mas eles cometeram genocídio", disse Taty Almeida, membro do Mães da Praça de Maio, um grupo de direitos humanos, em entrevista durante um intervalo nos procedimentos.

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Reuters